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Trump mantém sua influência

Ex-presidente conserva o apoio de entre dois terços e metade dos republicanos, mais do que suficiente para controlar o Partido Republicano

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2022 | 05h00
Atualizado 10 de janeiro de 2022 | 14h35

Um ano depois da invasão do Congresso americano, é interessante analisar os benefícios e prejuízos que o populismo autoritário traz para Donald Trump, para o Partido Republicano e para a democracia.

Pesquisa feita para a CNN em setembro revelou que 63% dos republicanos apoiam a liderança que Trump exerce sobre o partido, enquanto 37% o rejeitam como líder. Entretanto, 51% dizem que os republicanos têm mais chance de retomar a presidência se Trump for o candidato, e 49%, o contrário. 

Essa sondagem não separa os motivos da avaliação negativa, que pode envolver também a resposta ineficaz à covid e problemas econômicos, entre outros.

Outra pesquisa, realizada em outubro pela Universidade Quinnipiac, descobriu que 66% dos republicanos não veem a invasão do Capitólio como ataque ao sistema político. Além disso, 21% disseram que Trump não tem “muita responsabilidade” pela invasão, e 56%, que não tem nenhuma.

Esse conjunto de números indica que Trump conserva o apoio de entre dois terços e metade dos republicanos. Isso é mais do que suficiente, não para voltar à Casa Branca, até porque 2024 está muito longe para qualquer previsão, mas para controlar o Partido Republicano, aí incluída sua máquina formidável de arrecadação de doações.

A militância trumpista é coesa e aguerrida, em contraste com os outros republicanos, menos mobilizados e mais dispersos entre diversas lideranças e correntes do partido. Ela dá a Trump o poder de decidir, nas primárias partidárias, quem pode ser candidato republicano a qualquer cargo eletivo. É por isso que muito poucos dirigentes republicanos ousam desafiar Trump publicamente.

Mesmo avaliando que ele representa uma ruptura com os valores republicanos, e que ele é prejudicial ao partido eleitoralmente.

Entre a eleição presidencial de novembro e a certificação da vitória de Joe Biden em janeiro, a Geórgia elegeu dois senadores democratas, selando a maioria do partido na Casa. Na época, em conversas privadas, dirigentes republicanos responsabilizaram, por essa derrota, Trump e suas pressões sobre o governo da Geórgia para recontar os votos em seu favor. 

Dirigentes republicanos nas duas Casas do Congresso também culparam o então presidente pela invasão do Capitólio. Passado o choque, a maioria se resignou, com medo de os trumpistas encerrarem sua carreira política nas primárias, já neste ano de eleições para toda a Câmara e um terço do Senado.

No Congresso, o ambiente entre os dois partidos ficou ainda mais tóxico e as negociações, mais difíceis. Passado um ano, o punhal continua na garganta da democracia, para usar a imagem de Biden. 

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