REUTERS/Kevin Lamarque
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Trump montará 'sala de guerra' contra ataques de investigação sobre laços com Rússia, dizem fontes

Além de afastar sugestões de que Moscou está influenciando o governo Trump, o esforço de mensagem também terá como foco avançar a estagnada agenda política do governo

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 22h21

BRUXELAS/WASHINGTON – A Casa Branca está se preparando para estabelecer uma “sala de guerra” para combater crescentes questões sobre laços entre a Rússia e a campanha presidencial de Donald Trump, disseram autoridades do governo e pessoas ligadas ao presidente republicano.

Após a volta de Trump da viagem de nove dias ao exterior, o governo acrescentará experientes profissionais políticos e possivelmente advogados para lidar com a investigação sobre a Rússia, que ganhou nova urgência após o Departamento de Justiça nomear um conselheiro especial para liderar a investigação, disseram as fontes à Reuters.

Além de afastar sugestões de que Moscou está indevidamente influenciando o governo Trump, o esforço de mensagem também terá como foco avançar a estagnada agenda política de Trump e possivelmente envolverá mais viagens para fora de Washington que contarão com os estridentes comícios que foram pilar da campanha de Trump.

Uma pessoa ligada à Casa Branca disse que o governo precisava de uma nova estrutura para lidar com a “nova realidade” de que haveria vazamentos contínuos à mídia de comunidades da inteligência e da lei federal, vazamentos que aumentaram desde que Trump demitiu neste mês o então diretor do FBI, James Comey.

“Desde a demissão de Comey, isso realmente expôs o fato de que a Casa Branca em sua atual estrutura... não está preparada realmente para uma guerra de um fronte, muito menos uma guerra de dois frontes”, disse. “Eles precisam ter uma estrutura vigente que permita que continuem focados” enquanto “também verdadeiramente lutam contra esses ataques e esses vazamentos”. A atual estrutura não está fazendo o suficiente para guiar a própria agenda, disse a fonte.

A Casa Branca rejeitou comentar sobre os planos de uma “sala de guerra”, mas disse que Trump buscará aproveitar o impulso que acredita ter criado durante sua viagem presidencial à Arábia Saudita, Israel e Europa. Uma autoridade da Casa Branca confirmou planos para realização de mais comícios.

Trump retorna a Washington neste sábado depois de sua primeira viagem ao exterior como presidente.

“O presidente teve uma viagem incrivelmente bem-sucedida ao exterior e a Casa Branca aguarda com expectativa para continuar uma estratégia de mensagens agressiva para destacar sua agenda quando retornarmos a Washington”, disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.     

Jared Kushner, assessor sênior e genro de Trump, estará envolvido na nova operação de mensagens estratégicas, assim como Steve Bannon, outro assessor sênior que é especializado em administrar o apelo populista de Trump e moldar sua imagem política, disseram as fontes. Bannon e o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, têm preparado o terreno para o plano nesta semana, acrescentaram.

Na quinta-feira, a NBC News e o Washington Post relataram que Kushner, que teve diversos encontros com autoridades russas após a eleição, é um foco da investigação, tornando-o a primeira autoridade atual da Casa Branca a ser alvo da investigação, embora Kushner não tenha sido acusado de qualquer ato irregular. / REUTERS

 

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