Bloomberg photo by Yuri Gripas
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Trump não permitirá que a Rússia interrogue funcionários americanos

Porta-voz da Casa Branca diz que presidente não aceitou proposta feita por Vladimir Putin, mas tem confiança de que Moscou permitirá que promotor americano ouça os 12 cidadãos russos acusados de ingerência nas eleições americanas de 2016

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2018 | 16h52

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não aceita a proposta do líder russo Vladimir Putin de permitir que Moscou interrogue funcionários americanos, informou nesta quinta-feira, 19, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

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"Foi uma proposta lançada pelo presidente Putin, mas o presidente Trump não está de acordo", afirmou Sarah, apesar de manifestar sua confiança que a Rússia, em compensação, permitirá que os 12 funcionários russos acusados de ingerência nas eleições americanas de 2016 possam ir aos Estados Unidos para provar sua inocência.

Esta questão surgiu no diálogo entre Trump e Putin na segunda-feira na Finlândia, após o indiciamento nos Estados Unidos de 12 cidadãos russos apontados como agentes de órgãos de inteligência.

Na entevista conjunta que se seguiu à reunião, Trump disse que Putin havia feito uma "oferta incrível" de permitir que um promotor americano fosse a Moscou para falar com os 12 cidadãos russos acusados.

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Em contrapartida, Putin pediu permissão para interrogar o ex-embaixador americano em Moscou, Michael McFaul, e o empresário Bill Browder, naturalizado britânico.

Este último foi um dos principais defensores de uma lei aprovada no Congresso dos Estados Unidos sobre sanções contra a Rússia e conhecida como "Lei Magnitski", em referência a um opositor russo, Serguei Magnitski, que morreu na prisão em 2009.

A ideia de que os Estados Unidos autorizem seus funcionários a serem interrogados por outro governo foi recebida com evidente rejeição, especialmente no Congresso.

Nesse sentido, Browder havia opinado que autorizar o governo russo a interrogá-lo equivalia a uma "sentença de morte".

Na quarta-feira, a própria porta-voz da Casa Branca alimentou ainda mais a controvérsia ao afirmar que Trump se encontraria "com sua equipe" para discutir a possibilidade de permitir tais interrogatórios. / AFP

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