Al Drago / Bloomberg
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Trump sugere mudança em lei da difamação ao negar acusações de jornalista do caso Watergate

Presidente americano disse ser vergonhoso que uma pessoa escreva um livro ou artigo com 'histórias totalmente inventadas' e não sofra nenhum tipo de punição ou retaliação; ele também qualificou os casos mencionados na obra como ‘fraudes’

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2018 | 06h36
Atualizado 05 Setembro 2018 | 16h58

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que o Congresso mude as leis de difamação no país em uma mensagem publicada no Twitter após a divulgação de trechos de do livro Fear: Trump in the White House (Medo: Trump na Casa Branca, em tradução livre), do jornalista investigativo Bob Woodward, que traz uma série de alegações polêmicas sobre o governo do republicano.

"Não é uma vergonha que alguém possa escrever um artigo, ou um livro, totalmente inventar histórias e formar uma imagem da pessoa que é literalmente o oposto do fato, e sair impune disso sem retaliação, ou custo?", tuitou Trump. "Não sei por que os políticos de Washington não mudam as leis de difamação", acrescentou.

No livro, cujo lançamento está marcado para o dia 11, Woodward retrata a Casa Branca de Trump como uma "casa de loucos" (no original, o autor usa "crazytown") nas mãos de um presidente raivoso e desequilibrado, cujos assistentes tentam o tempo todo evitar que ele leve o país para uma guerra, entre outros desastres.

Em outras mensagens publicadas também na rede social, o republicano negou que tenha chamado o secretário de Justiça dos EUA, Jeff Sessions, de “mentalmente retardado” e “um sulista idiota”. O mandatário disse que “nunca usou esses termos sobre ninguém, incluindo Jeff”, acrescentando que “ser um sulista é uma ótima coisa”.

Trump havia acusado Sessions anteriormente por não conseguir assumir o controle do Departamento de Justiça. O presidente também reclamou diversas vezes sobre a decisão de dele de se retirar da investigação federal sobre um possível conluio entre a campanha do magnata e a Rússia sob o argumento de que havia trabalhado na campanha do então candidato republicano.

Trump alegou que Woodward escreveu o livro para provocar divisão no país e diz que o objetivo do autor é afetar as cruciais eleições de meio de mandato, que acontecem em novembro e renovarão toda a Câmara e um terço do Senado.

O presidente americano condenou as citações e as histórias narradas pelo jornalista no livro e as qualificou como “fraudes”. “O livro de Woodward já foi refutado e desacreditado pelo general (secretário de Defesa) James Mattis e o general (secretário-geral da Casa Branca) John Kelly”, escreveu Trump no Twitter.

A obra inclui descrições de que atuais e ex-assessores chamaram Trump de “idiota” e “mentiroso”. Além disso, o jornalista descreve o perfil de um chefe de Estado inculto, raivoso e paranoico, que seus secretários e colaboradores se esforçam em controlar para evitar suas saídas de tom.

O jornal The Washington Post, que obteve uma cópia da obra escrita por quem, junto a Carl Bernstein, revelou o escândalo Watergate - que desencadeou a saída do presidente republicano Richard Nixon -, publicou alguns trechos que complicaram ainda mais a imagem do 45.° presidente dos EUA.

De acordo com o livro, por exemplo, após uma reunião entre Trump e a sua equipe de Segurança Nacional sobre a presença militar na Península da Coreia, Mattis disse, exasperado, ao seu círculo próximo que o presidente se comportou como um "aluno de quinto ou sexto ano".

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Além disso, segundo Woodward, depois do ataque químico de abril de 2017 atribuído ao regime do presidente sírio Bashar Assad, Trump supostamente ligou para o general Mattis e lhe disse que queria assassinar o chefe de Estado.

“Vamos matá-lo. Vamos. Vamos matar um monte deles”, disse Trump ao diretor do Pentágono. Depois de desligar, Mattis teria recorrido a um assessor e dito a ele: “Não faremos nada a respeito, seremos muito mais comedidos”.

O livro também fala da frustração constante de Kelly, tradicionalmente o homem mais próximo ao presidente na "Ala Oeste". Ele teria dito a assessores sobre Trump: "É um idiota. É inútil tentar convencê-lo de qualquer coisa. Nem sei o que eu estou fazendo aqui. Este é o pior trabalho que já tive". 

Em uma breve reação, Kelly assegurou que jamais chamou o presidente de idiota e reafirmou o seu compromisso com ele. / AP e AFP

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