AP Photo/Evan Vucci
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Trump nega, mas advogado confirma contato com Ucrânia; Biden exige explicações

Presidente americano disse que nem ele nem Rudy Giuliani discutiram questões sobre Joe Biden e sua família com Kiev; em entrevista à CNN na noite de quinta-feira, no entanto, o defensor afirmou o contrário

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 17h44
Atualizado 20 de setembro de 2019 | 22h55

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, negou nesta sexta-feira, 20, que tenha discutido questões sobre Joe Biden e sua família durante uma ligação para o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski em julho. Ele disse, no entanto, que 'alguém deveria investigar' o ex-vice-presidente dos Estados Unidos.

A ligação de Trump para Zelenski está sob investigação de democratas na Câmara dos Deputados, que examinam se o presidente americano e seu advogado, Rudy Giuliani, tentaram manipular o governo ucraniano para ajudar a campanha de reeleição do republicano, buscando informações que poderiam ser prejudiciais para Biden, pré-candidato presidencial democrata.

A ligação ganhou destaque nos últimos dias depois da revelações de que um funcionário da inteligência americana registrou uma denúncia anônima que envolvia a comunicação de Trump com um líder estrangeiro. Além disso, fontes ouvidas pelo Washington Post e pelo New York Times disseram que essa ligação estava relacionada com a Ucrânia.

Em maio, Giuliani cancelou uma controvertida viagem para a Ucrânia que, segundo ele próprio admitiu, teria como objetivo pressionar Kiev a investigar o filho de Biden, Hunter Biden, e seu trabalho para uma empresa ucraniana de gás - algo que já havia sido analisado por promotores do país europeu.

Biden exige explicações

Ao saber da denúncia, Biden, que é o favorito para vencer as primárias de seu partido para as eleições presidenciais de 2020, exigiu que Trump divulgue a transcrição do telefonema e classificou esse ato de "corrupção". Trump "deve divulgar imediatamente a transcrição da chamada em questão para que o povo americano possa julgar por si próprio", disse o ex-vice-presidente do governo Barack Obama.

Ele também exigiu que o diretor Nacional de Inteligência "pare de obstruir" e revele ao Congresso a denúncia secreta sobre essa ligação. "Uma corrupção tão clara danifica e diminui as instituições governamentais ao convertê-las em ferramentas pessoais de vingança política", afirmou Biden por meio de um comunicado.

Questionado nesta sexta se conversou com Zelenski sobre Biden, Trump afirmou para repórteres no Salão Oval da Casa Branca que não interessava o que eles tinham discutido. Depois, se referiu a alegações de que Biden, enquanto era vice-presidente, pressionou a Ucrânia a demitir o promotor que investigou seu filho, acrescentando que os repórteres deveriam investigar essa questão.

Biden de fato pediu à Ucrânia que demitisse o promotor, com a ameaça de reter ajuda financeira dos EUA, mas sua posição refletia a do governo dos EUA e de vários outros países ocidentais de maneira mais ampla por outros motivos.

Trump ainda defendeu que suas conversas com líderes mundiais são "sempre apropriadas ... no mais alto nível" e disse que seu telefonema para Zelenski tinha sido "uma conversa bonita".

Trump também rotulou o denunciante anônimo de "partidário", mas disse que não sabia sua identidade. "Não conheço a identidade do denunciante. Ouvi que é uma pessoa partidária, o que significa que (as acusações) veem do outro partido", disse o presidente.

Contradição de Giuliani

Na noite te quinta-feira, em uma caótica entrevista ao vivo para Chris Cuomo, da CNN, Giuliani entrou em contradição ao ser questionado se havia pedido pessoalmente ao novo governo ucraniano para que investigasse Biden.

"Não, na verdade eu não pedi. Eu pedi que a Ucrânia investigasse as alegações de que houve interferência na eleição de 2016 por ucranianos para beneficiar Hillary Clinton", afirmou o advogado do presidente americnao.

Em seguida, Cuomo o questinou sobre Hunter Biden e o promotor que o investigou em Kiev. Giuliani afirmou que a "única coisa" que ele pediu foi para saber o motivo da demissão do promotor.

"Então você pediu para a Ucrânia para investigar Joe Biden", completou Cuomo. "Claro que eu pedi", respondeu imediatamente Giuliani, que tentou então fazer uma distinção sobre perguntar à Ucrânia sobre Biden e perguntar sobre "alegações relacionadas ao cliente (Trump), que envolvem tangencialmente Joe Biden e um esquema maciço de suborno".

Na sequência, o ex-prefeito de Nova York disse também que seria "perfeitamente apropriado" se Trump oferecesse ajuda à Ucrânia em troca de o país investigar Hillary e Biden.

"A realidade é que o presidente dos Estados Unidos tem todo o direito de dizer a outro líder de um país estrangeiro: 'você precisa endireitar as coisas antes de lhe darmos muito dinheiro'", disse Giuliani. "É perfeitamente apropriado [Trump] pedir a um governo estrangeiro que investigue esse crime maciço que foi cometido por um ex-vice-presidente (dos EUA)", completou, sem apontar evidências para corroborar as acusações contra Biden. / WASHINGTON POST e NYT

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