Stephanie Keith/Getty Images/AFP
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Trump nega motivação política em corte de ajuda à Ucrânia

Americano diz que cortou verbas porque queria maior participação europeia no custeio de ajuda militar ao país e não por pressionar por investigação contra Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 12h53

WASHINGTON  - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira, 24, ter  congelado o envio de ajuda militar à Ucrânia uma semana antes de mencionar seu possível rival nas eleições de 2020 Joe Biden em uma conversa telefônica com o presidente Volodmir Zelenski. 

Trump atribuiu a decisão ao fato de países europeus não terem contribuído com um volume justo de ajuda financeira aos ucranianos. Trump e seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, pressionaram autoridades ucranianas a investigar a família Biden, segundo a imprensa americana. 

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Líder na disputa democrata para as eleições de 2020, Biden foi vice-presidente de Barack Obama e lidera as pesquisas em Estados que podem definir a eleição no colégio eleitoral no ano que vem, bem como no voto popular. 

"Minha reclamação (com os europeus) sempre foi essa. Congelei e farei de novo até que eles contribuam com a ajuda à Ucrânia", disse Trump.

O Washington Post publicou na noite de segunda-feira que Trump determinou pessoalmente o congelamento do repasse a seu chefe de gabinete, Mick Mulvaney. 

Segundo o Wall Street Journal, uma semana depois da decisão, Trump disse a Zelenski, em pelo menos oito oportunidades durante o telefonema, que Biden e o filho deveriam ser investigados.

Os democratas acusam Trump de usar o cargo para perseguir um adversário político e estudam endossar pedidos de impeachment contra o presidente. Biden pediu que a íntegra seja divulgada. 

'O presidente confirma que falou sobre Biden com Zelenski, mas diz que não há irregularidade nenhuma na conversa. "Não faz sentido. Se vocês virem a transcrição, e acredito que isso ocorra em algum momento, a conversa foi perfeita. Não poderia ter sido mais amigável", disse o presidente. 

Impeachment ainda divide democratas

O impeachment do presidente divide os próprios democratas. A líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi, não pretende iniciar um processo, segundo ela, "a menos que os americanos queiram". No domingo, porém, ela mudou o discurso e afirmou, em carta aos seus colegas democratas, que a situação mudará se o governo seguir barrando o acesso do Congresso à denúncia contra Trump.

"Se o governo persistir no bloqueio da denúncia de um funcionário ao Congresso, seria uma quebra séria dos deveres constitucionais do presidente. Entraremos em um novo e grave capítulo de ilegalidade que nos levará a um novo estágio de investigação", alertou Pelosi - sem citar a palavra "impeachment".

Na quinta-feira, a Comissão de Inteligência da Câmara tem mais uma audiência - a segunda - sobre a possibilidade de abrir um processo de impeachment contra o presidente. Mais da metade dos deputados democratas diz apoiar o processo e há a expectativa de que outros também se manifestem a favor.

A outra parte do partido, porém, acredita que a questão ainda divide os americanos e tomar uma atitude precipitada apenas alienaria mais eleitores centristas na véspera de um ano eleitoral. Além disso, uma disputa no Congresso sobre a destituição do presidente poderia inflamar a base do Partido Republicano e ajudar Trump a obter um apoio que ele hoje não tem.

Afastamento de Trump precisaria de apoio republicano

Para efetivamente destituir o presidente, porém, seria ainda mais complicado, porque exigiria o apoio de boa parte da bancada republicana no Senado - um núcleo duro do governo Trump.

A maioria dos congressistas republicanos se manteve em silêncio sobre os relatos de que o presidente teria pressionado o líder ucraniano a investigar Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente. 

O assunto ganhou peso depois que um funcionário do governo protocolou uma denúncia anônima que relatava uma conversa suspeita entre Trump e Zelenski, em 25 de julho. Os democratas exigem acesso à transcrição do telefonema, mas o Diretório de Inteligência Nacional nega a liberação do conteúdo. 

Ainda ontem, os presidentes de três comissões da Câmara enviaram uma carta ao secretário de Estado, Mike Pompeo, ameaçando intimá-lo se ele não apresentar o material sobre a denúncia do funcionário do governo americano. / AP, NYT e W. POST

 

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