Tom Brenner/REUTERS
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Trump nega ter chamado soldados mortos e feridos em combate de 'perdedores'

Segundo a revista The Atlantic, Trump teria se recusado a visitar um cemitério para soldados americanos em 2018: 'Por que devo ir? Está lotado de perdedores', teria dito ele

Peter Baker e Maggie Haberman / The New York Times, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 05h09

WASHINGTON — O presidente americano Donald Trump negou nesta quinta-feira, 3, que tenha se referido a soldados americanos mortos ou feridos em combate como "perdedores" e "otários". Visivelmente irritado, Trump falou com a imprensa para evitar perder o apoio de militares e aliados apenas dois meses antes das eleições. 

Ele rebateu a reportagem da revista The Atlantic que diz que o presidente decidiu não visitar um cemitério para soldados americanos na França em 2018 por temer que a chuva fosse arruinar seu cabelo e não acreditar ser importante homenagear os mortos na guerra.

"Se as pessoas que disseram isso realmente existem, elas são canalhas e mentirosas", gritou Trump ainda sob o barulho dos motores do Air Force One, do qual havia acabado de desembarcar após um compromisso de campanha. "Eu poderia jurar por qualquer coisa que nunca disse isso sobre os nossos heróis. Não há ninguém que os respeite mais que eu. Que animal diria algo assim?"

A reportagem da revista The Atlantic, assinada pelo editor-chefe Jeffrey Goldberg, atribuiu o episódio a "quatro pessoas com conhecimento da discussão", mas não revelou as fontes. Durante uma conversa com oficiais naquele dia, segundo a revista, Trump teria dito: "Por que devo ir ao cemitério? Está lotado de perdedores."

Na mesma viagem, diz o artigo, ele se referiu a marinheiros americanos mortos em combate na Batalha de Belleau como "otários" por terem sido mortos. O texto diz também que a conhecida antipatia de Trump pelo senador John McCain, herói da guerra do Vietnã, era visível após a morte de McCain em agosto de 2018.

"Não vamos apoiar o funeral desse perdedor", Trump teria dito a sua equipe. Ele se irritou ao ver bandeiras hasteadas em meio-mastro: "para quê estamos fazendo isso? O cara era um perdedor". 

A reportagem pode significar um problema para Trump porque ele conta com um forte apoio dos militares para conseguir a reeleição. Ele transformou o aumento de gastos com os salários de militares e com a melhoria dos cuidados com os veteranos em pilares da campanha.

Trump também fala em reduzir as "guerras infinitas" no Afeganistão e Iraque, mas, ao mesmo tempo, entra em conflito com líderes do exército ao oferecer clemência a acusados e condenados por crimes de guerra, ao colocar as forças militares nas ruas de Washington para controlar os protestos e ao tentar bloquear propostas de mudança dos nomes de bases militares que homenageiam generais confederados. 

Uma nova pesquisa feita pelo The Military Times realizada no mês passado, antes das convenções, e divulgada nesta semana mostrou Joe Biden na liderança pela presidência, com 41% a 37% dos soldados na ativa declarando apoio ao ex-presidente, uma mudança evidente do histórico apoio dos militares aos republicanos.

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