AP Photo/Markus Schreiber
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Trump nega ter dito a Bolton que ajuda à Ucrânia dependia de investigação

Presidente dos Estados Unidos diz que ex-conselheiro de Segurança Nacional quer 'apenas vender livros'

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 11h36

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta segunda-feira, 27, ter dito a seu ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton  que a ajuda militar à Ucrânia estava condicionada à investigação de Kiev sobre seus adversário políticos.

Os tuítes de Trump foram publicados depois de o jornal The New York Times ter noticiado, no domingo, que Bolton relatou no manuscrito de um livro que pretende lançar que Trump disse a ele que queria congelar o auxílio de segurança à Ucrânia até que as autoridades do país europeu ajudassem nas investigações de democratas, incluindo o ex-vice-presidente Joe Biden, informou o New York Times nesta segunda, 27.

A divulgação do Times pode aumentar a pressão sobre os republicanos para convocar Bolton como testemunha no julgamento de impeachment de Trump no Senado.

"NUNCA disse a John Bolton que a ajuda à Ucrânia estava ligada às investigações dos democratas, incluindo os Biden. De fato, nunca se queixou disso no momento de sua saída bem pública" do governo, tuitou Trump esta manhã. "Se John Bolton disse isso, foi apenas para vender um livro", minimizou.

Citando o manuscrito inédito de Bolton, o "Times" escreveu que Trump disse a Bolton que queria manter congelados US$ 391 milhões em ajuda para a Ucrânia até que os funcionários de Kiev ajudassem em uma investigação sobre seu rival democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden.

No mês passado, Trump foi acusado de abuso de poder e de obstrução do Congresso por este caso.

Na semana passada, os procuradores da Câmara de Representantes passaram três dias, apresentando um caso detalhado. Segundo eles, Trump "segurou" a ajuda militar e usou o convite para uma reunião na Casa Branca para pressionar Kiev a abrir uma investigação sobre Biden e seu filho Hunter, ex-diretor de uma empresa de gás ucraniana.

Os democratas rapidamente aproveitaram a matéria para reiterar as demandas de que Bolton e outras pessoas-chave no governo Trump sejam convocadas para testemunhar no processo de impeachment em curso contra o presidente.

A presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, disse que a negativa da maioria republicana do Senado a ouvir o depoimento de Bolton e de outras testemunhas é "agora ainda mais indefensável".

Os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras do Senado. São necessários 67 votos - uma maioria de dois terços - para destituir Trump./AFP

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