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Trump, o herdeiro de Andrew Jackson

O isolacionismo de Jackson, herdado por Trump, inspira-se no realismo pragmático de Thomas Jefferson, mas vai além

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2017 | 05h00

Donald Trump pôs no Salão Oval um retrato de Andrew Jackson, sétimo presidente americano. Jackson chegou à Casa Branca em 1828, também à revelia do establishment. Escravocrata do Tennessee, fundou um partido próprio para defender os interesses do “povo” contra “bancos e corporações” – o Partido Democrata. Extinguiu o banco que emitia papel-moeda, zerou a dívida pública, expulsou índios de seus territórios e, na disputa com o norte industrializado, plantou as sementes da Guerra da Secessão. Veterano de batalhas militares, era um nacionalista que, segundo Walter Russell Mead, da Universidade Yale, via os Estados Unidos não como destinados a exportar valores iluministas, mas a cuidar da segurança e do bem-estar dos próprios cidadãos. O isolacionismo de Jackson, herdado por Trump, inspira-se no realismo pragmático de Thomas Jefferson, mas vai além. Não é só questão de evitar intervenções para minimizar riscos ou economizar recursos. A preocupação essencial está dentro, não fora do país. “O populismo jacksoniano se interessa apenas de modo intermitente pela política externa”, diz Mead. “Eles se opõem aos recentes acordos comerciais não porque entendam detalhes e consequências, mas porque acreditam que os negociadores não tinham o interesse dos EUA em seus corações.”

Quantos empregos foram para México e China?

O emprego na indústria americana caiu de 32,4% para 8,5% do total entre 1953 e 2016. A maior parte da queda se deve à produtividade e ao avanço tecnológico. Pelas contas do economista Brad DeLong, apenas 0,36 ponto porcentual pode ser atribuído à exportação de vagas para México e China - para o México, uns 116 mil empregos. “Não há como acusar o Nafta pela desindustrialização nos EUA, nem como esperar que um acordo ‘melhor’ traga empregos de volta”, diz o economista Dani Rodrik. Mas uma consequência do Nafta foi a redução de até 17% nos ganhos salariais de setores e regiões específicos.

 

Dois minutos e meio para a meia-noite

O Boletim de Cientistas Atômicos, que mantém há 70 anos o relógio do Juízo Final, adiantou em 30 segundos o ponteiro dos minutos. Faltam agora dois minutos e meio para a meia-noite, o mais perto que a humanidade já chegou do horário que representa a catástrofe nuclear desde a bomba de hidrogênio, em 1953. O motivo, diz o boletim, são “comentários preocupantes” de Trump.

 

O mea culpa de Nate Silver

O estatístico Nate Silver, cuja previsão dava Hillary Clinton como favorita na véspera da eleição americana, publica em seu site uma série de artigos analisando o que deu errado nas pesquisas, nos modelos matemáticos e na cobertura da imprensa americana. Essencial para quem quiser entender mesmo a questão, em vez de apenas reproduzir a propaganda beócia das redes sociais.

 

A versatilidade ideológica de Jackie Evancho

Ao zapear a tevê, Robert Redford se emocionou com a voz da menina. Convidou-a a atuar como filha do advogado que vivia no thriller Sem Proteção, sobre o Weather Underground, o grupo terrorista de esquerda dos anos 1970. Em 2013, o filme venceu o Festival de Veneza. Quatro anos depois, mais adulta, a afinadíssima Jackie Evancho entoou o “Star-Spangled banner” na posse de Trump. Como disse Bob Dylan, não é um preciso homem do tempo para saber em que direção o vento sopra.

 

O selfie nos tempos de Baudelaire

Termina hoje em Paris a exposição L’oeil de Baudelaire, cujo destaque, além das pinturas favoritas do poeta francês, são as fotos que mostram o olhar penetrante dele. Da primeira geração que conheceu a fotografia, Baudelaire criticava o invento de Daguerre. “A sociedade imunda se apressou como um Narciso para contemplar sua imagem trivial sobre o metal”, escreveu 150 anos antes dos selfies.

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