Justin Tallis / AFP
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Defesa de Assange diz que Trump lhe ofereceu perdão; Casa Branca nega

Segundo advogados, proposta era que fundador do WikiLeaks negasse participação da Rússia no vazamento de e-mails democratas em 2016; porta-voz do governo americano diz que acusações são 'invenções'

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 16h27

LONDRES - Donald Trump ofereceu um perdão presidencial a Julian Assange, fundador do WikiLeaks, caso ele dissesse que a Rússia não teve envolvimento na divulgação de e-mails do Partido Democrata, em 2016. A revelação foi feita nesta quarta-feira, 19, pela defesa de Assange, em um tribunal de Londres, uma semana antes do início de sua batalha jurídica contra um processo de extradição para os EUA.

Segundo o advogado de Assange, Edward Fitzgerald, a proposta foi feita pelo ex-deputado republicano Dana Rohrabacher, que visitou o fundador do WikiLeaks quando ele estava preso na embaixada equatoriana em Londres, em agosto de 2017. "Rohrabacher foi ver Assange para lhe dizer, instruído pelo presidente dos EUA, que oferecia um perdão se Assange dissesse que a Rússia não tinha nada a ver com os vazamentos do Partido Democrata", escreveu Jennifer Robinson, também advogada de defesa. 

O pedido de extradição foi protocolado em junho pelo então secretário britânico do Interior, Sajid Javid, primeiro passo para que avançar o caso nos tribunais. Entre as acusações, os americanos pedem que Assange seja processado pelos milhares de documentos confidenciais veiculados no WikiLeaks, além de "crimes de conspiração" para se infiltrar nos sistemas de computadores do governo dos EUA.

Assange, de 48 anos, está detido na prisão de Belmarsh, nos arredores de Londres, cumprindo pena de 50 semanas por desrespeitar as condições de liberdade condicional estabelecidas em 2012. Ele se refugiou por sete anos na Embaixada do Equador em Londres para evitar a extradição para a Suécia, onde era acusado de abusos sexuais por duas mulheres.

Assange negava as acusações e dizia que o pedido sueco de extradição seria uma armadilha do governo americano para colocá-lo atrás das grades – ele pode ser sentenciado a décadas de prisão nos EUA. Por isso, ele permaneceu na embaixada até que o presidente Lenín Moreno, em abril de 2019, retirou o asilo diplomático e abriu caminho para que os americanos oficializasse um pedido de extradição.

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