Washington Post photo by Jabin Botsford.
Washington Post photo by Jabin Botsford.

Trump ordena ao Pentágono que prepare saída de tropas da Síria

Segundo informações do 'Washington Post', presidente aproveitou reunião com principais responsáveis da área de segurança para pedir solução para retirar soldados americanos do país; Casa Branca diz que consultará aliados para tomar qualquer decisão

O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 16h40

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu instruções à cúpula militar do país para que comece a planejar a iminente saída das tropas americanas da Síria, onde lideram uma coalizão de mais de 60 nações que combatem o islamismo extremista na região.

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De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post nesta quarta-feira, 4, o presidente aproveitou uma reunião realizada na véspera com alguns dos principais responsáveis da área de segurança para pedir um plano de saída da Síria.

A veracidade desta informação foi confirmada, em parte, pelo diretor nacional de Inteligência, Dan Coats, que na manhã desta quarta disse a um grupo de jornalistas que o presidente já tomou uma decisão a respeito, informou a emissora "CNN".

Trump estaria disposto a manter um pequeno contingente militar na Síria com o objetivo de preparar as forças de segurança locais para que assumam os trabalhos de proteção dos territórios já libertados da presença do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

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O presidente americano ressaltou, no entanto, que em qualquer caso, a presença dos EUA na Síria não se estenderia para além da vitória sobre os jihadistas.

Esta afirmação poderia representar um revés para os principais aliados de Washington em sua luta no país árabe, as milícias rebeldes das Forças da Síria Democrática (FSD), cujo objetivo, além de derrotar os islamitas, é derrubar o presidente Bashar Assad.

Em janeiro deste ano, Hadi Bahra, um dos integrantes da delegação do principal grupo opositor sírio que viajou para Washington, disse que seu grupo tinha recebido "garantias" do governo americano de que este só contemplava "uma transição" política como solução duradoura para o conflito que aflige o país desde 2011.

No entanto, o Pentágono vem insistindo nos últimos meses que seu único objetivo na Síria é a derrota do EI, o que dá a entender que a saída de Assad, que conta com o apoio da Rússia, não é um tema que continue sendo de interesse da Casa Branca.

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"Estamos arrasando o Estado Islâmico. Vamos sair da Síria muito em breve (...). Estamos lá por uma razão: encontrar o EI, acabar com o EI e voltarmos para casa", garantiu Trump na semana passada durante um discurso em Richfield, nos arredores de Cleveland.

Nesta quarta-feira, Trump voltou a insistir no assunto ao queixar-se que os Estados Unidos gastaram mais de US$ 7 bilhões no Oriente Médio nos últimos anos e não conseguiram "nada mais que morte e destruição".

No entanto, quase ao mesmo tempo em que Trump fazia essas declarações, o general Joseph Votel, chefe do Comando Central (CENTCOM), responsável pelas operações das Forças Armadas dos EUA no Oriente Médio, assegurou que o momento mais difícil na Síria "ainda vai chegar".

Em todo caso, a Casa Branca afirmou nesta quarta em comunicado que consultará os aliados para tomar qualquer decisão e disse que os EUA seguem comprometidos em lutar contra a presença do EI na Síria.

"Continuarem conversando com nossos aliados e amigos sobre o futuro", diz o texto, que não evocou em momento algum a retirada das tropas.

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Ao ser consultado, o Departamento de Defesa dos EUA não quis comentar sobre "cenários hipotéticos" e se limitou a confirmar que "os comandantes realizam recomendações privadas ao presidente através da cadeia de comando de forma rotineira".

Durante a campanha eleitoral, Trump já tinha manifestado sua vontade de reduzir a presença americana nos diversos conflitos em que o país toma parte. No entanto, a decisão de anunciar a retirada de suas tropas da Síria atentaria contra a estratégia apresentada pela própria Casa Branca em agosto.

As novas diretrizes de Washington dotaram as forças armadas de maior liberdade de manobra, maior sigilo para evitar possíveis vazamentos por parte de seus aliados e, antes de tudo, estabeleceram o fim aos limites temporários. Ou seja, não existem prazos, só metas a serem cumpridas.

Os Estados Unidos têm cerca de 2 mil militares na Síria, onde lutam ao lado de uma coalizão internacional formada por mais de 60 países que combatem o terrorismo islamita dentro da operação 'Inherent Resolve' ('Apoio Decidido'), que conta com a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. / EFE e AFP

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