Patrick Semansky/AP
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Temos obrigação de nomear um sucessor para a vaga na Suprema Corte, diz Trump

No Twitter, presidente americano diz que seu partido foi colocado em uma posição de poder para tomar decisões para o povo americano; esforços republicanos para decidir sobre a sucessão têm sido criticados pelos democratas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2020 | 11h45
Atualizado 19 de setembro de 2020 | 13h05

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou os republicanos neste sábado, 19, a preencher "sem demora" a vaga deixada pela juíza Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte americana. A magistrada morreu na sexta-feira, aos 87 anos, vítima de complicações de um câncer no pâncreas. "Temos a obrigação de fazer isso, sem atraso", escreveu, em publicação no Twitter endereçada ao Partido Republicano.

Trump ressaltou que a legenda foi colocada em "uma posição de poder" para tomar decisões para o povo americano. "A mais importante delas há muito tempo tem sido considerada a seleção de juízes da Suprema Corte dos EUA", argumentou.

Em um declaração ditada à sua neta, Clara Serpa, dias antes de morrer, Ruth Bader Ginsburg afirmou: "Meu desejo mais fervoroso é que eu não seja substituída antes que um novo presidente seja eleito".

A Suprema Corte dos EUA é composta por nove juízes com cargos vitalícios que têm o poder de mudar as leis do país durante décadas. Concretamente, desempenham um papel crucial em temas como o aborto, os direitos dos migrantes, a privacidade, a pena de morte e o controle de armas. Os magistrados são nomeados pelo presidente e precisam ser confirmados pelo Senado.

Neste mês, Trump voltou a prometer que nomearia juízes que se oponham ao aborto e que protejam o direito ao porte de armas no país.

Os esforços do partido governista para decidir sobre a sucessão de Ginsburg têm sido criticados pela oposição. Em 2016, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, impediu o então presidente Barack Obama de preencher uma vaga na corte sob o argumento de que aquele era um ano eleitoral e, portanto, seria mais prudente aguardar a eleição. Para os democratas, a norma deve ser seguida como há quatro anos.

Para confirmar um novo juiz, McConnell necessita uma maioria simples, o que poderá conseguir se os 53 republicanos dos 100 senadores se mantiverem fiéis a Trump. No entanto, o processo de confirmação ficará complicado se houver deserções entre os republicanos mais moderados.

No primeiro ano como presidente, Trump conseguiu a aprovação de seu primeiro indicado para o Supremo, o juiz Neil Gorsuch. Depois, no dia 6 de outubro de 2018, repetiu o feito com Brett Kavanaugh.

Bandeiras a meio mastro

Mais cedo, neste sábado, 19, Trump ordenou que as bandeiras de todo o país fossem hasteadas a meio mastro para homenagear a juíza. Trump elogiou Ginsburg, uma líder liberal na Suprema Corte e ícone pela igualdade de gênero, como uma "pioneira" em um comunicado divulgado pela Casa Branca na noite de sexta-feira.

"Ruth Bader Ginsburg foi uma inspiração para todos os americanos", disse Trump, observando que ela era apenas a segunda mulher a servir na Suprema Corte. "Hoje (sexta-feira), nossa nação está de luto pela perda de uma titã da lei."

Na nota, Trump destaca que Ginsburg era renomada "por sua mente brilhante" e por suas "poderosas divergências" na Corte. "As opiniões dela, incluindo em decisões conhecidas relacionadas à igualdade legal de mulheres e de pessoas com deficiências, inspiraram todos os americanos e gerações de grandes mentes do Direito", ressaltou.    

O republicano afirmou ainda que a juíza foi uma "batalhadora até o fim" e ofereceu orações aos parentes. "Que a memória dela seja uma grande e magnífica bênção para o mundo", concluiu, sem dar indicações de como pretende conduzir o processo de sucessão.

As bandeiras do Congresso e da Casa Branca já tinham sido hasteadas a meio pau na noite de sexta-feira, enquanto centenas de pessoas, incluindo muitos jovens, reuniram-se espontaneamente em frente à fachada da Suprema Corte para homenageá-la, levando velas e flores.

"A RBG representava tudo o que a América deveria fazer para avançar, começando pelo respeito pelos outros, independentemente de gênero, raça, religião", afirmou a estudante Erin Drumm, de 19 anos. /COM APF

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