Tom Brenner/Reuters
Tom Brenner/Reuters

Trump ordena fim de treinamento antirracismo para funcionários federais

Presidente afirmou por meio de diversos tuítes que a prática é uma propaganda que divide os Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 14h37

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que agências governamentais encerrem as sessões de treinamento antirracismo para funcionários federais alegando que constituem uma "propaganda divisiva e não americana".

A ordem surge no momento em que Trump tenta chamar a atenção de sua base eleitoral composta por pessoas brancas de colarinho azul para tentar a reeleição em meio a críticas e protestos contra a injustiça racial e as ações da polícia.

Em um memorando, o Gabinete de Administração e Orçamento da Casa Branca citou relatos de que "funcionários de todo o Poder Executivo foram obrigados a participar de treinamentos nos quais são informados de que 'virtualmente todos os brancos contribuem para o racismo' ou onde são obrigados a dizer que 'se beneficiam do racismo'".

E acrescentou: "De acordo com relatos da imprensa, em alguns casos esses treinamentos afirmam ainda que há racismo embutido na crença de que a América é a terra das oportunidades ou na crença de que a pessoa mais qualificada deve conseguir um emprego."

"O presidente me instruiu a garantir que as agências federais parassem e desistissem de usar o dinheiro dos contribuintes para financiar essas sessões de treinamento de propaganda divisiva e não americana", escreveu o diretor do gabinete, Russell Vought.

Para Entender

Como funciona a escolha do presidente dos EUA

No dia 3 de novembro de 2020, 224 milhões de eleitores americanos irão às urnas e darão seu veredicto sobre a presidência de Donald Trump; veja o que mais está em jogo

Ele instruiu as agências a "identificar todos os contratos ou outros gastos relacionados a qualquer treinamento em 'teoria crítica da raça', 'privilégio branco' ou qualquer outro treinamento ou esforço de propaganda que ensine ou sugira (1) que os Estados Unidos são inerentemente um país racista ou maligno ou (2) que qualquer raça ou etnia é inerentemente racista ou maligna".

"A propaganda divisiva, falsa e degradante do movimento da teoria crítica da raça é contrária a tudo o que defendemos como americanos e não deveria ter lugar no governo federal", acrescentou o memorando.

Trump reforçou a iniciativa na manhã deste sábado, 5, disparando mais de 20 tweets e retweets sobre o assunto. Um deles chama a teoria crítica da raça de "a maior ameaça à civilização ocidental". "Não mais!", escreveu Trump.

Caso Floyd 

Protestos antirracistas eclodiram nas principais cidades dos EUA após a morte de George Floyd, um homem negro que foi morto por um policial branco em maio, em Minneapolis. No mês passado, as manifestações foram reacendidas com o caso de outro homem negro, Jacob Blake, baleado pelas costas por outro policial branco, em Kenosha, Wisconsin. 

Trump - que está forçando uma dura linha de lei e ordem na corrida pelas eleições de novembro - classificou esses manifestantes de anarquistas violentos.

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Essa semana, o presidente visitou Kenosha, mas não se encontrou com a família de Blake, que ficou paralisado da cintura para baixo. O presidente se reuniu com autoridades policiais e foi conferir os danos dos protestos provocados pelo tiroteio.

O adversário eleitoral de Trump, o democrata Joe Biden, também visitou a cidade esta semana. Ele conversou com Blake por telefone e se encontrou pessoalmente com sua família. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.