AP Photo/Carolyn Kaster
AP Photo/Carolyn Kaster

Trump ordena retirada de novas sanções contra a Coreia do Norte

Presidente americano afirma em sua conta no Twitter que medidas anunciadas pelo Departamento de Tesouro serão canceladas; porta-voz da Casa Branca diz que republicano gosta de Kim Jong-un e 'não vê necessidade' das sanções

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 15h44

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou nesta sexta-feira, 22, a retirada de uma nova rodada de sanções contra a Coreia do Norte impostas pelo Departamento de Tesouro americano.

"Foi anunciado hoje pelo Tesouro dos EUA que sanções adicionais de grande escala seriam adicionadas às sanções já existentes contra a Coreia do Norte", escreveu o presidente em sua conta no Twitter. "Eu ordenei hoje a retirada dessas sanções adicionais!", completou.

Não está claro a quais sanções Trump se referia já que nenhuma nova sanção contra o regime de Kim Jong-un foi anunciada nesta sexta. Na quinta-feira, no entanto, os EUA colocaram em sua lista negra duas companhias chinesas de navios cargueiros que teriam ajudado a Coreia do Norte em seu programa de armas nucleares.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, também não especificou sobre quais sanções Trump estava falando. "O presidente Trump gosta do secretário Kim (Jong-un) e ele não acha que essas sanções serão necessárias."

Foi a primeira ação do tipo desde que a segunda cúpula Trump e Kim, em Hanói, fracassou devido a exigências conflitantes. A Coreia do Norte quer um alívio nas sanções, e Washington cobra que o regime abdique de suas armas nucleares.

Horas antes do anúncio de Trump, a Pyongyang havia informado que se retiraria de um escritório de relacionamento com a Coreia do Sul montado em setembro na cidade fronteiriça de Kaesong após uma cúpula história entre Kim e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, no início do ano passado.

“O lado norte se retirou depois de nos comunicar que está o fazendo sob as instruções de um nível superior durante um contato de autoridades de ligação nesta manhã”, disse o vice-ministro da Unificação sul-coreano, Chun Hae-sung.

A Coreia do Sul lamentou a decisão e pediu uma normalização rápida do arranjo, disse Chun, acrescentando que Seul manterá seu pessoal no escritório, criado como um canal de comunicação frequente para amenizar a hostilidade entre os rivais, que continuam tecnicamente em guerra.

A retirada norte-coreana do escritório foi mais um golpe em Moon, que viu uma deterioração em sua posição de mediador entre Pyongyang e Washington e o crescimento de divisões dentro de seu governo no tocante à forma de romper o impasse.

O governo Moon enaltecia o escritório como um grande feito resultante de sua própria cúpula com Kim em 2018, apesar dos receios dos EUA de um possível afrouxamento nas sanções.

Chun não quis estabelecer uma ligação direta entre a medida do vizinho do norte e a cúpula fracassada de Hanói, mas especialistas viram um padrão no fato de a Coreia do Norte se voltar contra a Coreia do Sul quando sua posição estratégica crucial com Washington é ameaçada.

Ainda não está claro se após o anúncio de Trump a Coreia do Norte voltará ao grupo de contato com o vizinho do Sul. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.