T. J. Kirkpatrick/The New York Times
T. J. Kirkpatrick/The New York Times

Trump ordenou funcionários para encaminhar pressão sob a Ucrânia, dizem novos documentos

Transcrições dos depoimentos da ex-conselheira da Casa Branca para a Rússia e do membro do Conselho de Segurança dos EUA mostram interferência direta do presidente ao orientar funcionários

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2019 | 20h40

WASHINGTON – Novas transcrições de depoimentos de testemunhas no inquérito de impeachment do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram divulgadas nesta sexta-feira, 8, com detalhes de episódios relacionados à negociação com a Ucrânia, que culminou no telefonema em julho entre Trump e o mandatário Volodmir Zelenski para investigação do rival político democrata Joe Biden e seu filho, Hunter Biden.

Os relatos foram ditos pela ex-conselheira da Casa Branca para a Rússia, Fiona Hill, e pelo Coronel Alexander Vindman, membro do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, durante suas audiências a portas fechadas nas comissões responsáveis pela investigação na Câmara dos Deputados.

Em episódio narrado por Vindman em seu depoimento, o embaixador dos EUA, Gordon Sondland, disse aos ucranianos que eles deveriam investigar os Bidens caso ainda tivessem esperança em ter uma reunião com Trump. “Ele estava pedindo algo, pedindo por uma investigação que não existia, sobre os Bidens e a Burisma”, disse Vindman. “Os ucranianos teriam que entregar uma investigação dos Bidens”.

Os investigadores questionam o que seria uma investigação dos Bidens. “Minha reação visceral ao que estava sendo pedido sugeria que era explícito”, disse Vindman. “Não houve ambiguidade”, assertiu, complementando que “não havia dúvidas” de que Trump pedia investigações nos âmbitos de corrupção e lavagem de dinheiro sobre os Bidens, em um momento em que quase US$ 400 milhões em ajuda militar à Ucrânia estavam congelados.

Vindman teria alertado seus superiores sobre o assunto em duas ocasiões, incluindo logo após ter escutado o telefonema de julho entre Trump e Zelenski, quando teria manifestado “sérias preocupações”. Uma denúncia anônima de um whistleblower sobre o telefonema serviu como justificativa para abrir o inquérito de impeachment.

Em outra ocasião, o conselheiro de segurança nacional, John Bolton, teria ficado “imediatamente rígido” quando Sonland “soltou: 'Bom, temos um acordo” com Mick Mulvaney, o chefe de gabinete da Casa Branca, “para uma reunião se essas investigações começarem no setor de energia”.

A referência seria à empresa ucraniana de gás natural Burisma, onde Hunter Biden compunha o conselho. Após isso, Fiona Hill disse que Bolton encerrou a reunião abruptamente.

As transcrições divulgadas nesta sexta pelos deputados democratas ocorreram no mesmo dia em que Mulvaney rejeitou uma intimação e não foi à uma intimação a portas fechadas que estava agendada na Câmara.

Esta semana também foi marcada por divulgações de transcrições de diversos depoimentos, enquanto a Câmara tenta avançar com as audiências públicas em plenário na semana que vem.

Questionado nesta sexta sobre uma possível obstrução do Congresso ao pressionar para que aliados não deponham contra ele, Trump respondeu que não quer “dar credibilidade a uma caça às bruxas corrupta. Eu adoraria que Mick fosse lá... porém validaria uma investigação corrupta”. / AP e W. POST

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