Ken Cedeno/REUTERS
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Trump ficou 10 anos sem pagar imposto e em 2016 desembolsou só US$ 750, diz jornal

Investigação do 'The New York Times' obteve duas décadas de informações fiscais do presidente americano e das centenas de empresas que compõem o seu grupo

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2020 | 20h45

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pagou apenas US$ 750 em impostos federais em 2016, ano em que ganhou as eleições presidenciais, e não fez contribuição nenhuma em 10 dos 15 anos anteriores, diz uma investigação do jornal The New York Times publicada neste domingo, 27, sobre mais de 20 anos de declarações fiscais do mandatário. Trump negou as acusações. 

De acordo com a publicação americana, o presidente não pagou os impostos destes dez anos, “em grande parte porque declarou mais perdas do que receitas”. As declarações de imposto de renda do ex-magnata imobiliário estão no centro de uma batalha jurídica, já que Trump sempre se negou a publicá-las. 

O jornal obteve informações fiscais dos últimos 20 anos de Trump e das centenas de empresas que compõem seu grupo, incluindo informações detalhadas sobre seus primeiros dois anos no cargo. Não estão incluídas declarações de imposto de renda pessoais de 2018 e 2019. 

Diferentemente de todos seus antecessores na presidência desde a década de 1970, Trump, cujo conglomerado familiar não tem ações na bolsa, se nega a publicar as declarações de imposto de renda. Outro dado obtido pelo jornal mostra que Trump até pagou mais impostos a outros países.

Em uma entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse que se tratava de “fake news”. Ele não deu detalhes sobre suas declarações. Em nota enviada ao jornal americano, o advogado Alan Garten, da Trump Organization, disse que “a maioria das informações, se não todas, parecem estar imprecisas”.

Em julho, a Suprema Corte decidiu que os promotores de Nova York têm o direito de ter acesso às declarações de renda de Trump e de suas empresas. Em uma sentença separada, porém, o tribunal bloqueou temporariamente as intimações de deputados democratas para obter as movimentações financeiras de Trump, remetendo a decisão às instâncias inferiores.

As duas decisões significaram uma derrota jurídica, mas uma vitória política de Trump, que impediu que os democratas – e os eleitores americanos – tivessem acesso a suas declarações de renda antes da eleição de novembro. O presidente, no entanto, fica à mercê dos investigadores do Distrito Sul de Nova York, liderados pelo procurador Cyrus Vance, que apuram Trump por fraudes bancárias e fiscais, entre outros crimes. Não está claro se o NYT obteve os dados fiscais referentes aos 20 anos de Trump em decorrência dessas decisões.

Debate

As declarações tributárias do republicano provavelmente aparecerão no primeiro debate entre o presidente e o democrata Joe Biden, na próxima terça-feira, 29. 

Trump voltou a atacar neste domingo a capacidade mental de seu rival, ao sugerir que o ex-vice-presidente faça um teste antidoping. Ele já havia insinuado que o desempenho de Biden só poderia ser explicado pelo uso de drogas. “Vou solicitar veementemente um teste de doping para ‘Sleepy Joe’ (‘Joe Dorminhoco’) antes ou depois do debate na noite de terça-feira", escreveu o presidente de 74 anos no Twitter. O republicano especificou que, “naturalmente”, também passaria pelo mesmo teste.

Esta será a primeira vez em que os americanos verão os dois frente a frente. O debate acontece pouco mais de um mês antes das eleições de 3 de novembro. Biden, conhecido por gafes e fala lenta, reconhece que o enfrentamento será difícil. 

No centro da batalha estará a gestão da crise de covid-19, que deixou mais de 204 mil mortos nos EUA e gerou desemprego, atingindo com força especial minorias como negros e latinos. Este primeiro duelo, de 90 minutos, será moderado pelo jornalista Chris Wallace, da conservadora rede Fox News, e é o primeiro de três debates cara a cara programados.

Trump continua atacando seu oponente de 77 anos, alegando que ele sofre de algum tipo de declínio cognitivo em razão da idade. “Seu desempenho nos debates tem sido DESIGUAL em níveis recordes, para dizer o mínimo. Apenas as drogas poderiam ter causado essa discrepância???”, escreveu, sem oferecer qualquer evidência de seus comentários.

“Ele é como Goebbels”, respondeu Biden no sábado, comparando o presidente ao oficial de propaganda nazista Joseph Goebbels. “Você conta uma mentira várias vezes, você a repete, repete e repete de forma que se torne um fato irrespondível.” / NYT

 

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