Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Trump passa a sauditas técnica para bombas

Congressistas americanos temem que Arábia Saudita tenha acesso a tecnologia militar de ponta

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 21h23

WASHINGTON - Quando o governo de Donald Trump declarou emergência, no mês passado, e acelerou a venda de armas americanas à Arábia Saudita, fez mais que enfurecer membros do Congresso que se opõem à operação alegando razões humanitárias. O presidente provocou também preocupações de que os sauditas ganhem acesso a tecnologia que lhes permitiria produzir uma versão própria de bombas americanas de precisão. 

A declaração de emergência autoriza a Raytheon, empresa de ponta no setor de defesa americano, a fabricar peças de bombas de alta tecnologia na Arábia Saudita. A medida, que não foi anunciada com antecedência, está em um plano entregue nesta semana pelo governo ao Congresso.

A decisão autoriza a Raytheon e os sauditas a começarem a fabricar conjuntamente sistemas de controle, guiagem eletrônica e placas de circuito integrado essenciais para as bombas inteligentes Paveway. Os EUA mantinham secreta essa tecnologia por razões de segurança nacional.

Vários relatórios de grupos de direitos humanos destacaram nos quatro últimos anos que as armas foram usadas em ataques aéreos contra civis. Um dos ataques, em 2016, levou o governo de Barack Obama a suspender a venda de bombas à coalizão liderada pelos sauditas no Iêmen. O novo acordo é parte de um pacote maior de venda de armas, anteriormente bloqueado pelo Congresso, que inclui o fornecimento de 120 mil bombas de precisão da Raytheon à coalizão. Isso se somaria às dezenas de milhares de bombas que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos já têm em estoque. 

Congressistas temem que mais armas permitirão aos dois países continuar lutando no Iêmen por um longo tempo. A medida também inclui a continuidade do fornecimento aos sauditas de caças F-15, granadas de morteiros, mísseis antitanque e fuzis .50.

Poder

A declaração de emergência, evocada em parte em razão das tensões com o Irã, provocou uma forte resistência de congressistas dos dois partidos, preocupados não apenas com a guerra, mas com o fato de o governo Trump estar usurpando a autoridade do Congresso na autorização de vendas de armas. 

“Poucos países são menos confiáveis que a Arábia Saudita”, disse o senador republicano Rand Paul. “Nos últimos anos, eles fomentaram atrocidades, mentiram repetidamente aos EUA e comprovaram ser um incorrigível pária regional. É preocupante e irresponsável que os EUA continuem lhes fornecendo armas.”

“O governo não apresentou nenhuma evidência de que Arábia Saudita e Emirados Árabes estejam sob novas ameaças do Irã, ou que haja uma intensificação das ameaças já existentes, que justifique declarar emergência.” / NYT, TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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