REUTERS/Leah Millis
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Trump afasta aliados ao pedir que Rússia volte a integrar o G7

Presidente americano afirmou que Moscou deve participar das negociações do grupo; Moscou disse estar focada em outras cúpulas, não no G7

O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 11h04

CHARLEVOIX, CANADÁ - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 8, que o G7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, deveria reintegrar a Rússia ao bloco. Os russos foram excluídos do então G8 em 2014, após a anexação da Crimeia. O Kremlin afirmou que a Rússia está focada em “outros formatos de cúpulas que não o G7”. As declarações de Trump abalaram ainda mais as estremecidas relações entre Washington e seus aliados no grupo. 

Trump arremessou a bomba diplomática pouco antes de deixar a Casa Branca para o encontro de dois dias do G-7, que começou na  sexta-feira, 8, em Charlevoix, em Quebec. O grupo é formado, além dos EUA, por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, os principais aliados americanos. 

Emmanuel Macron, Angela Merkel, Theresa May e Giuseppe Conte, que se reuniram antes do início da cúpula, concordaram que “a posição europeia é de negar o retorno da Rússia”, embora considerem “a possibilidade de estabelecer um diálogo”. Antes, o premiê italiano, que participa de sua primeira cúpula, havia apoiado a ideia.

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A declaração de Trump é uma ruptura extraordinária com os principais aliados dos EUA e é considerada surpreendente. A diplomacia americana apoiou a Ucrânia na crise com a Rússia, em 2013, e sugeriu a expulsão russa do G-8 depois da anexação da Crimeia pelos russos, em 2014. 

Na sexta-feira, 8, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a Rússia prefere enfatizar “outros formatos de conversações internacionais que não o G-7”. Konstantin Kosachev, presidente do comitê de Relações Exteriores do Parlamento russo, disse que o país só deveria “voltar ao grupo em seus próprios termos, com sanções removidas e interesses respeitados”. “O G-7 precisa da Rússia mais do que a Rússia precisa do G-7”, disse Kosachev.

Antes mesmo de o encontro começar, Trump vinha criticando os principais aliados americanos. Há uma semana, sinalizou que poderia não assinar a declaração conjunta com outros líderes reafirmando princípios e valores comuns.

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A insistência de Trump em iniciar uma guerra comercial e impor barreiras tarifárias a diversos países ajudou a exasperou a relação dos EUA com seus aliados. “O presidente americano pode não se importar em ficar isolado, mas também não nos importamos em assinar um acordo com seis países”, escreveu o presidente francês em sua conta no Twitter. “Esses 6 países representam valores, representam um mercado econômico que tem o peso da história por trás e agora é uma verdadeira força internacional.”

Analistas afirmam que as ações de Trump estão implodindo o complexo sistema de instituições construído pelos americanos após a 2.ª Guerra que fortaleceu os laços globais. “O G-7 está cada vez mais descolado e desequilibrado”, afirmou ao Washington Post Robert Hormats, professor de Relações Internacionais da Universidade de Princeton. “Se não fizerem algo para reverter isso, vão enfraquecer de maneira severa a colaboração entre países ocidentais e a liderança americana.” / W.POST e AFP

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