Susan Walsh/ AP
Susan Walsh/ AP

Trump pede que republicanos retirem senador que o criticou da liderança da Casa

Mitch McConnell, que foi um grande aliado do ex-presidente durante seu mandato, rompeu após invasão ao Capitólio

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2021 | 21h49

WASHINGTON - O ex-presidente dos EUA Donald Trump pediu nesta terça-feira, 16, que os senadores republicanos removam Mitch McConnell da liderança do Partido Republicano no Senado após as críticas do legislador a Trump durante o julgamento de impeachment.

"O Partido Republicano nunca mais será respeitado ou forte com 'líderes' políticos como o senador Mitch McConnell no comando", disse Trump em um comunicado de 600 palavras divulgado por sua assessoria.

O ex-presidente descreveu McConnell pejorativamente como um membro do aparato político tradicional, chamando-o de "taciturno", e alertou que se os senadores republicanos o mantiverem como líder do partido no Senado eles "não ganharão de novo". “Ele nunca fará o que precisa ser feito, ou o que é certo para nosso país”, disse.

Os comentários foram interpretados como uma tentativa de Trump retomar de novo ás rédeas do partidoUma pessoa próxima ao ex-presidente disse que sua versão inicial da declaração foi mais incendiária do que a que foi divulgada publicamente. Uma segunda pessoa disse que a declaração foi emitida em vez da entrevista coletiva como Trump gostaria inicialmente. Assessores temiam que ele se desviasse e dissesse coisas ainda mais duras de improviso.

McConnell escreveu um artigo para o Wall Street Journal e concedeu uma entrevista ao periódico sugerindo que poderia se envolver nas primárias em 2022 como parte de um esforço para reconquistar a maioria dentro da legenda. Representantes de McConnell não responderam aos pedidos de comentários nesta terça-feira, 16.

O ataque de Trump veio depois que McConnell disse no sábado, 13, que, embora tenha votado a favor da absolvição do magnata no julgamento de impeachment por "incitamento à insurreição", o ex-presidente foi "prática e moralmente responsável" pelo ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro.

Em sua mais extensa declaração sobre política desde que deixou a Casa Branca em 20 de janeiro, Trump culpou McConnell pela perda do controle do Senado pelos republicanos e assumiu o crédito pelas realizações do partido na Câmara. 

Trump também afirmou ser responsável pela reeleição de McConnell para mais seis anos de mandato representando o Estado de Kentucky no Senado, onde o influente político de 78 anos ocupa uma cadeira desde 1984, e exerceu grande poder como líder da maioria na Câmara Alta pelos últimos 6 anos.

"Meu único arrependimento é que McConnell 'implorou' meu forte apoio e endosso junto ao grande povo de Kentucky na eleição de 2020, e eu dei a ele", disse Trump.

"Sem meu apoio, McConnell teria perdido e perdido muito", continuou Trump.

O ex-presidente ameaçou usar a popularidade que ainda tem entre a base republicana para apoiar qualquer candidato republicano que comparta sua visão política. A próxima votação nacional ocorrerá nas eleições de meio de mandato em novembro de 2022.

"Quando necessário e apropriado, apoiarei os principais rivais que defendem nossa política 'Make America Great Again' (MAGA) e 'America First'", afirmou Trump. / NYT e AFP

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