Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Cenário: Trump perdeu chance de liderar esforço anti-Rússia

Presidente americano está mais preocupado em se eximir de qualquer culpa na possível conluio de sua campanha com Moscou do que em tomar medidas contra os russos; analistas dizem que falta de ação do republicano transmite imagem de líder fraco

Peter Baker / The New York Times, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2018 | 06h00

Depois do indiciamento na sexta-feira de mais de uma dúzia de cidadãos russos e de três empresas pela interferência na eleição presidencial americana de 2016, a primeira reação do presidente dos EUA, Donald Trump, foi a de se eximir de qualquer culpa. “A campanha Trump não fez nada errado - não houve conluio”, escreveu no Twitter.

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O indiciamento pelo procurador especial, Robert Mueller, ressaltou outra questão mais ampla sobre o governo americano: a de que a Rússia está envolvida em uma guerra virtual contra os Estados Unidos através das ferramentas do século 21, a desinformação e propaganda. Essa conclusão também é compartilhada pelos conselheiros e chefes de inteligência do presidente e esta é uma guerra que os americanos estão travando sem um comandante-chefe.

Em 13 meses na Casa Branca, Trump fez pouco ou nenhum esforço público para unir o país para enfrentar Moscou por sua intromissão ou para defender as instituições democráticas contra a interferência contínua. Em poucas ocasiões seu governo desafiou a Rússia ou tomou medidas efetivas, e até mesmo o conselheiro de segurança nacional de Trump admitiu, no sábado, que as evidências da intromissão de Moscou são “incontestáveis”. 

“É impressionante que um presidente dos EUA tenha enfrentado uma situação como essa de forma tão leve ou tenha visto o caso puramente através do prisma do partidarismo doméstico”, disse Daniel Fried, um diplomata de carreira sob presidentes de ambos os partidos que agora está na Think tank Atlantic Council. Ele disse que, invariavelmente, esta postura levanta dúvidas sobre se Trump tem algo a esconder. “Eu não tenho nenhuma evidência de que ele está deliberadamente evitando atacar (a Rússia) por interesse próprio, mas eu não posso descartar essa hipótese.”

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Michael McFaul, embaixador em Moscou durante o governo de Barack Obama, disse que a reação de Trump aos indiciamentos foi “surpreendentemente fraca” e cobrou uma crítica ao presidente russo, Vladimir Putin, por ter violado a soberania americana ou o anúncio de algum plano para punir Moscou.

“Mas ao invés disso, ele (Trump) só está focado em sua própria campanha”, afirmou McFaul. “Os EUA foram atacados e nosso comandante-chefe não diz nada sobre isto. Ele parece fraco, não apenas para Moscou, mas para todo o mundo.”

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