Leah Millis/REUTERS
Leah Millis/REUTERS

Trump planeja diminuir entrada de refugiados nos EUA a mínimo histórico

Governo americano anunciou que apenas 15 mil pessoas poderão receber abrigo no país no ano fiscal de 2021, que começa agora em outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 16h54

WASHINGTON - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova redução da cota de refugiados admitidos nos Estados Unidos com o limite de 15 mil pessoas em 2021, um mínimo histórico com o qual visa reforçar sua dura política migratória com vistas à eleição presidencial de novembro.

Na noite da quarta-feira 30, o Departamento de Estado disse que o número reflete a prioridade dada pelo governo Trump à “segurança e ao bem-estar dos americanos, especialmente à luz da pandemia de covid-19”. Trump, que busca a reeleição em 3 de novembro, adotou uma postura rígida com a imigração legal e ilegal durante sua presidência, inclusive diminuindo a entrada de refugiados todos os anos desde que tomou posse, em 2017.

O governo Trump disse que os refugiados de regiões devastadas por guerras deveriam ser reassentados mais perto de suas pátrias e os EUA já oferecem asilo a milhares de pessoas por meio de um processo separado. "Ao nos concentrarmos primeiro em acabar com os conflitos que envolvem os deslocamentos e fornecendo uma ajuda humanitária no exterior para proteger e ajudar as pessoas deslocadas, podemos prevenir os efeitos desestabilizadores desses deslocamentos nos países afetados e seus vizinhos", alegou o Departamento de Estado em um comunicado. 

Críticos dizem que, sob o comando de Trump, os EUA abandonaram um papel tradicional de porto seguro para pessoas perseguidas, e que reduzir a entrada de refugiados mina outros objetivos de política externa.

O limite de refugiados foi cortado para 18 mil no ano passado, mas cerca de 7 mil vagas não foram usadas, de acordo com cifras governamentais, já que o endurecimento crescente do governo Trump e a pandemia de coronavírus diminuíram a quantidade de recém-chegados.

Nos próximos 12 meses, um máximo de 15.000 refugiados poderão ser admitidos no país a menos que não haja uma mudança na administração. O número caiu para seu nível mais baixo e representa uma quantidade muito pequena em relação às 100 mil pessoas recebidas anualmente durante o governo do presidente anterior, Barack Obama.

Manar Waheed, da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), disse que Trump está tentando eliminar os sistemas de imigração "para detê-los e garantir que os imigrantes negros e pardos não tenham refúgio em nossa nação".

Campanha

Quase 80 milhões de pessoas em todo mundo tiveram de abandonar suas casas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Esse número dobrou em dez anos.

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, comprometeu-se a aumentar o número de refugiados admitidos para 125 mil, alegando que a recepção de pessoas perseguidas faz parte dos valores americanos. A campanha de Trump publicou anúncios afirmando que a postura de Biden mostra que o democrata é "fraco" e que receberá pessoas de lugares "perigosos".

Normalmente, os presidentes americanos determinam quantos refugiados receberão nas proximidades do dia 1º de outubro, quando se inicia o novo ano fiscal. Pela lei do país, o presidente precisa consultar o Congresso antes de finalizar a cifra, mas a decisão acaba sendo da Casa Branca. /REUTERS e AFP 

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