Sebastian Scheiner/AP
Sebastian Scheiner/AP

Trump pressiona administração Obama a vetar resolução sobre Israel

Projeto sugerido pelo Egito pede a suspensão da construção de assentamentos israelenses em territórios ocupados; Israel havia pedido que os EUA vetassem a proposta

O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2016 | 16h20

NAÇÕES UNIDAS - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou publicamente o presidente Barack Obama nesta quinta-feira, 22, e pediu que seu país vete na Organização das Nações Unidas um projeto de resolução promovido pelo Egito exigindo a suspensão da construção de assentamentos israelenses em territórios ocupados. 

"A resolução que está sendo examinada pelo Conselho de Segurança da ONU deve ser vetada", afirmou o republicano, por meio de um comunicado, em sua intervenção mais direta sobre política externa. A administração Obama, que vetou uma resolução similar em 2011, rejeitou emitir uma opinião sobre o atual projeto, o que levantou questionamentos sobre uma possível abstenção na votação.

Israel já havia pedido aos EUA nesta quinta-feira o veto ao projeto da resolução. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu fez o apelo pelo Twitter nesta madrugada, sinal de que teme que o presidente Barack Obama possa deixar o cargo rompendo com uma política à qual se opõe há tempos. "Os EUA deveriam vetar a resolução anti-Israel no Conselho de Segurança da ONU", disse Netanyahu.

A votação da resolução estava prevista para esta quinta-feira, mas foi adiada após pedido do Egito, "para dar tempo de todos examinarem a proposta e realizarem consultas". Não foi definida uma nova data.

O Egito circulou o esboço da resolução na noite de quarta-feira. A resolução exigiria que Israel "cesse imediata e completamente todas as atividades de assentamento no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental".

A Casa Branca não quis comentar. Alguns diplomatas esperam que Obama permita que o Conselho de Segurança aja abstendo o país na votação.

A gestão Obama repudia a construção de assentamentos nos territórios ocupados. Neste mês, autoridades americanas disseram, porém, que o presidente não deve adotar grandes medidas relativas ao processo de paz entre Israel e palestinos a menos de um mês de entregar o cargo.

Os líderes direitistas e pró-assentamentos se animaram com a eleição de Donald Trump, que já sinalizou uma possível mudança na política de Washington nomeando um de seus advogados – um arrecadador de fundos para um grande assentamento israelense – como novo embaixador americano em Israel. /AFP, NYT e REUTERS

 

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