Jim Lo Scalzo/EFE/EPA
Jim Lo Scalzo/EFE/EPA

Trump pressiona para ter provas de que vírus foi criado pela China

Com avanço da pandemia nos EUA, presidente e assessores estudam punições aos chineses

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 20h28

WASHINGTON - Funcionários dos serviços de inteligência dos EUA se queixaram de que a Casa Branca vem colocando pressão para que agências de espionagem americanas encontrem provas de que a China criou e espalhou intencionalmente o coronavírus. Os relatos, publicados nesta quinta-feira, 30, pelo New York Times e pelo Washington Post, mostram que Donald Trump intensificou seu esforço para culpar o governo chinês pela pandemia.

Em entrevista no Salão Oval, Trump falou da China com dureza e afirmou que está estudando diversas opções contra o país. “Posso fazer muita coisa”, afirmou, sem dar detalhes. “Acabamos de ser atingidos por este vírus atroz que nunca deveriam ter permitido que escapasse da China. Eles (os chineses) deveriam tê-lo detido na origem – e não o fizeram”, disse o presidente. 

Ele se reuniuna quinta-feira com os diretores de alguns departamentos do governo para estudar possíveis represálias contra a China. Segundo fontes que participaram da discussão, entre as opções estão sanções e a suspensão de pagamentos devidos pelos EUA, além de novas restrições comerciais. 

Uma das possibilidades estudadas pelo governo seria suspender a imunidade da China e permitir que cidadãos americanos processem o país na Justiça. A medida, no entanto, segundo especialistas ouvidos pelo Washington Post, é muito difícil de ser implementada e talvez exija algum tipo de legislação do Congresso. 

Trump e seus aliados republicanos no Congresso têm tentado usar a China para desviar a atenção das críticas à resposta ineficaz e tardia do governo americano à pandemia. Os EUA têm mais de um milhão de infectados e um total de 62,2 mil mortos – o que vem desgastando lentamente a imagem do presidente.

Mesmo com a pressão, os serviços de inteligência dos EUA anunciaram que o novo coronavírus teve origem na China, mas “não foi criado pelo homem”. “A comunidade de inteligência concorda com o consenso científico de que o vírus não foi feito pelo homem ou geneticamente modificado”, disse um comunicado assinado por Richard Grenell, diretor de inteligência nacional. “A comunidade de inteligência continuará a examinar se o surto começou por meio do contato com animais infectados ou se foi o resultado de um acidente em um laboratório de Wuhan”, diz o comunicado.

Na quarta-feira, a rede de TV NBC informou que a Casa Branca tinha ordenado a todas as agências de espionagem que “varressem” as comunicações interceptadas, dados e imagens por satélite para averiguar se a China e a Organização Mundial de Saúde (OMS) esconderam no início informações sobre o que mais tarde se tornou uma pandemia.

No entanto, autoridades americanas, com base em relatórios e análises de inteligência, estão dizendo há semanas que não acreditam nas teorias conspiratórias. Segundo pesquisa recente da Pew Research, 29% dos americanos acreditam que o vírus tenha sido criado em laboratório e, destes, 23% acham que ele foi disseminado intencionalmente.

Ainda na quinta-feira, Trump afirmou que conseguiu “acessar evidências” que vinculam o novo coronavírus ao Instituto Wuhan de Virologia. O presidente respondeu “sim” à pergunta de um jornalista sobre se ele tinha visto essas provas. Ele, no entanto, não especificou quais eram essas evidências. / AFP, WP, NYT e REUTERS

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