Gabrielle Lurie|AFP
Gabrielle Lurie|AFP

Trump pretende atacar Hillary usando traição de Bill com Lewinsky

Estrategistas e analistas afirmam que única chance de sucesso do candidato republicano na campanha é desqualificar sua adversária

The New York Times

17 Maio 2016 | 05h00

WASHINGTON - Nos debates que virão pela frente na campanha presidencial americana, Donald Trump pretende jogar as infidelidades de Bill Clinton na cara de Hillary Clinton, questionando se ela facilitou o comportamento do marido e tentou desacreditar as mulheres envolvidas. O republicano buscará responsabilizá-la pelas falhas da segurança no consulado americano de Benghazi, na Líbia, e pela morte do embaixador Christopher Stevens. 

Além disso, Trump pretende descrevê-la como corrupta, invocando tudo o que for possível, desde suas transações com contratos futuros de gado no final dos anos 70, até a investigação federal no caso dos e-mails na época em que era secretária de Estado. Inspirados nas táticas da guerra psicológica usadas pelo republicano para derrotar o “mentiroso Ted Cruz”, o “pequeno Marco” Rubio e o “fracote” Jeb Bush nas primárias, os assessores de Trump planejam ataques ao caráter dos Clintons na tentativa de aumentar a visão negativa dos eleitores nas pesquisas de opinião, levando o casal a cometer erros políticos.

Outro objetivo é conquistar os republicanos céticos, porque nada une mais o partido quanto castigar os Clintons. Atacá-los contribuiria para desviar a atenção dos pontos vulneráveis de Trump, como o tratamento que ele dispensa às mulheres, afirmam alguns aliados do magnata.

Para Hillary, a próxima batalha é uma espécie de paradoxo. Ela acumula décadas de experiência e qualificações, mas talvez não seja o merecimento que a fará alcançar a presidência - e sim a maneira como ela administrará as humilhações que Trump lhe infligirá.

Ela fará história como a primeira mulher a ser indicada por um partido. Por outro lado, será vista também, em parte, pelo prisma das falhas do marido. Alguns aliados políticos e amigos, embora enojados com Trump, consideram que há uma espécie de simetria cósmica: depois de combater durante dezenas de anos o que certa vez ela definiu como “a política da destruição pessoal”, Hillary só chegará à Casa Banca se sobreviver a mais um calvário de acusações sórdidas e escandalosas.

“Ela está muito preparada para ser presidente, mas ficar de cabeça erguida e manter uma postura digna durante a campanha será provavelmente o que mais a ajudará”, afirmou Melanie Verveer, amiga e ex-chefe da equipe de Hillary. “Trump representa mais um teste pessoal - um dos testes mais duros que ela jamais enfrentou”.

Adversidades. Hillary se fortalece frequentemente diante de comportamentos grosseiros, como o caso do marido com Monica Lewinsky e a investigação de Kenneth Starr contra ele para os procedimentos do impeachment no Congresso. Ela teve o apoio das mulheres quando foi candidata ao Senado, em 2000, depois que seu adversário republicano, Rick Lazio, apelou para temas pessoais em um debate, e elas a ajudaram a ganhar as primárias de New Hampshire, em 2008, pouco após Barack Obama observar com condescendência que ela era “bastante agradável”.

Trump, no entanto, disse que está determinado a não cair nessas armadilhas. Numa entrevista por telefone, afirmou que as mulheres não gostaram de ver Hillary insultada ou maltratada por homens. Ele afirmou que queria usar uma estratégia melhor, trazendo à tona a reação de Hillary aos casos amorosos do marido - pessoas próximas ao casal disseram que ela se envolveu nos esforços para desacreditar as mulheres - e em sua resposta a crises como a de Benghazi.

“Comportar-se de maneira vulgar com Hillary não funcionará”, disse Trump. “É preciso que as pessoas procurem ir a fundo no seu caráter e fazer com que as mulheres se perguntem se Hillary é realmente sincera e autêntica. Porque ela foi horrível quando tentou destruir as amantes de Bill, e, além disso, está tentando atrair as mulheres de maneira extremamente óbvia quando, na realidade, só está interessada em chegar ao poder”.

Hillary, por sua vez, começou a atacar Trump por se recusar divulgar dados sobre seus impostos, sugerindo que ele está escondendo alguma coisa, e na questão do seu temperamento e capacidade de liderança, definindo-o como uma pessoa imprevisível.

“Ele não pode concorrer com essa agenda primária porque ele não tem, e não pode perseguir Hillary, porque ela sabe muito mais do que ele”, disse Thomas Nides, ex-secretário de Estado para gestão e recursos, de Hillary Clinton.

Como as pesquisas mostram que o republicano recebeu dos eleitores notas negativas e tem problemas com o eleitorado feminino, alguns estrategistas do partido afirmam que ele não terá escolha senão tentar aumentar as opiniões desfavoráveis sobre Hillary. Uma recente pesquisa da CNN/ORC mostrou que 57% dos prováveis eleitores de Trump afirmaram que votariam nele mais em oposição a Hillary do que apoio a Trump.

“A melhor maneira de ele atrair delegados republicanos antes da convenção é mostrar que ele é um cão de ataque contra Hillary”, disse Mike Murphy, estrategista republicano que supervisionou um comitê de apoio a Jeb Bush na disputa republicana deste ano.

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