Jonathan Ernst/REUTERS - 22/10/2020
Jonathan Ernst/REUTERS - 22/10/2020

Trump proíbe americanos de investirem em empresas ligadas ao Exército da China

Governo republicano tenta conter a ascensão de Pequim como competidor global - econômico, político e militar - e recorre a ordens executivas para limitar a influência da China

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 19h02

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva proibindo americanos de investirem em empresas chinesas que, segundo sua administração, tenham oferecido apoio militar à China, aumentando a pressão sobre Pequim depois das eleições americanas. 

A decisão proíbe cidadãos americanos e companhias de comprarem ações diretamente ou por fundos de 31 empresas identificadas pelo governo Trump como ligadas ao Exército chinês. O pedido, segundo a agência Reuters, pode impactar algumas das maiores companhias da China, incluindo as empresas de telecomunicações China Telecom Corp Ltd, China Mobile Ltd e a fabricante de equipamentos de vigilância Hikvision.

O governo Trump tenta conter a ascensão de Pequim como competidor global - econômico, político e militar - e recorre a ordens executivas para limitar a influência da China.

A medida, que funcionários do governo disseram estar sob revisão há meses, proíbe a compra ou investimento em fundos de mercados emergentes que incluem as empresas a partir de 11 de janeiro.

A ordem dá aos investidores até novembro de 2021 para se desfazerem de quaisquer investimentos que contenham os ativos chineses.

A medida é a primeira grande iniciativa política do presidente Trump desde a derrota na eleição de 3 de novembro para o rival democrata, Joe Biden, e indica que ele está tentando aproveitar as vantagens dos últimos meses de seu governo para reprimir a China.

Biden ganhou o suficiente nos Estados para ultrapassar os 270 votos eleitorais necessários no colégio eleitoral que determina o próximo presidente, mas o republicano até agora se recusou a ceder, citando alegações infundadas de fraude eleitoral.

A ação de quinta-feira deve pesar ainda mais sobre os já tensos laços entre as duas principais economias do mundo, que estão em desacordo sobre a forma como a China está lidando com a pandemia do coronavírus e sua ação para impor uma lei de segurança em Hong Kong.

Relembre: Trump, cada vez 'mais irritado' com a China

Biden não apresentou uma estratégia detalhada para a China, mas todas as indicações são de que ele continuará a abordar duramente Pequim, com quem Trump se tornou cada vez mais conflituoso em seu último ano de mandato.

A ordem executiva se inspira em um projeto de lei apresentado pelo senador republicano Marco Rubio no mês passado para bloquear o acesso aos mercados de capitais dos EUA para empresas chinesas que foram colocadas em uma lista negra de Washington.

É parte de um esforço crescente do Congresso e do governo para frustrar as empresas chinesas que contam com o apoio de investidores americanos, mas não cumprem as regras americanas enfrentadas pelos rivais americanos.

Em agosto, funcionários da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos e do Tesouro instaram Trump a retirar da lista as empresas chinesas que negociam nas bolsas dos Estados Unidos e não cumprirem seus requisitos de auditoria até janeiro de 2022./AP, REUTERS e AFP 

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