Ramon Espionosa/AP
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Trump proíbe que americanos se hospedem em hotéis de Cuba

Governo dos EUA vem lançando uma série de sanções econômicas para restringir as receitas cambiais de Havana

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 19h01

WASHINGTON - O governo americano anunciou nesta quarta-feira, 23, um endurecimento das sanções contra o setor de turismo de Cuba, proibindo americanos de se hospedarem em propriedades estatais do país caribenho, entre outras medidas. 

"As mudanças restringem a acomodação em certas propriedades em Cuba; a importação de bebidas alcoólicas de origem cubana e de tabaco; a assistência a, ou a organização, de reuniões profissionais, ou de conferências em Cuba; e a participação em determinados eventos públicos", informou o Departamento do Tesouro dos EUA em um comunicado.

O governo Trump reverteu a política de abertura em relação a Cuba iniciada por seu antecessor democrata, Barack Obama, lançando uma série de sanções econômicas para restringir as receitas cambiais de Havana.

O anúncio chega a 40 dias das eleições presidenciais nos Estados Unidos, onde o Estado da Flórida, um importante bastião eleitoral, abriga uma importante colônia de cubanos que se opõe a Havana.

Nesta quarta-feira, Trump homenageou na Casa Branca os veteranos da fracassada invasão da Baía dos Porcos que tentaram derrubar Fidel Castro em 1961 e também lembrou os 40 anos de exílio em massa de cubanos nos Estados Unidos conhecido como o êxodo de Mariel. 

"O governo cubano tem redirecionado a receita das viagens autorizadas para seu próprio benefício, muitas vezes às custas do povo cubano", disse o secretário do Tesouro, Steven T. Mnuchin. 

O diretor-geral para os Estados Unidos da chancelaria cubana, Carlos Fernández de Cossío, classificou a ação como uma "nova medida de agressão" e reagiu com ironia à homenagem aos veteranos da fracassada invasão. 

"O presidente Trump, em um curioso movimento eleitoral, encontra resquícios da brigada mercenária que o governo dos Estados Unidos lançou na agressão militar contra Cuba em 1961 e que, apesar de suas poderosas armas e árdua preparação militar, foi derrotada em menos de 72 horas", afirmou no Twitter.

Com esta atualização das restrições, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) proibirá qualquer pessoa sujeita à jurisdição dos Estados Unidos de permanecer, pagar por acomodação ou fazer uma reserva para si ou para terceiros em qualquer propriedade identificada pelo Departamento de Estado como propriedade do governo de Cuba. O governo americano não deixou claro como pretende fazer isso.

"A proibição do uso de hotéis de propriedade do governo cubano implicará em menos voos dos Estados Unidos a Cuba e que os voos serão mais uma vez apenas para cubano-americanos que visitem suas famílias", afirmou à Agência France Press John S. Kavulich, presidente da organização Conselho de Comércio e Economia entre os Estados Unidos e Cuba. /AFP

 

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