Carlos Barria/Reuters
Carlos Barria/Reuters

Trump promete não retirar EUA do Nafta, mas quer renegociar tratado

Presidente americano recua em plano de deixar pacto comercial de 23 anos, após relatar pedido de México e Canadá para renegociação

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2017 | 01h48
Atualizado 27 Abril 2017 | 20h47

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que estava pronto para acabar com o acordo comercial de 23 anos com Canadá e México, mas concordou em renegociá-lo após pedidos dos dois vizinhos, expressando otimismo em obter melhores termos para os EUA.

Trump, durante uma aparição na Casa Branca com o presidente argentino, Mauricio Macri, disse que acabar com o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), um pacto que ele condenou há muito tempo, “seria um grande choque para o sistema”, embora ele planejasse fazê-lo dentro de dois ou três dias.

Horas após funcionários da Casa Branca divulgarem na quarta-feira que Trump e seus assessores estavam considerando um decreto para se retirar do Nafta, ele disse que recebeu telefonemas do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

“Eles me pediram para renegociar e eu vou”, disse Trump. “E acho que teremos sucesso na renegociação, que francamente seria boa, pois seria mais simples” do que matar o Nafta.

O México, o Canadá e os EUA formam um dos maiores blocos comerciais do mundo, e as interrupções no comércio entre eles podem causar grandes prejuízos nos setores automotivo, agrícola, energético e outros.

Trump tinha ameaçado repetidamente retirar-se do Nafta – que acabou com a maioria das tarifas entre os três vizinhos – se não pudesse renegociar melhores condições para os Estados Unidos, que passaram de um pequeno superávit comercial com o México no início dos anos 90 para um déficit de US$ 63 bilhões em 2016. Ontem, ele disse que o Nafta tinha sido “horrível” para os EUA, mas muito bom para Canadá e México. Houve uma divisão entre os principais conselheiros de Trump sobre encerrar o pacto.

“Agora, se eu não conseguir fazer um acordo justo ... para os Estados Unidos, significando um acordo justo para nossos trabalhadores e nossas companhias, encerrarei o Nafta. Mas nós vamos dar à renegociação um impulso forte e bom”, disse Trump, acrescentando que a renegociação “começará muito em breve, está começando hoje”.

O premiê canadense confirmou que pediu a Trump que não se retirasse do Nafta, pois causaria muita dor em ambos os lados da fronteira. “Ele disse (no telefonema) que estava pensando muito em cancelar e destaquei francamente que uma interrupção como cancelar o Nafta, mesmo que teoricamente, poderia causar muita dor no curto e no médio prazos”, disse Trudeau.

“Isso não é algo que qualquer um de nós desejaria, então concordamos que poderíamos nos sentar e começar a trabalhar na busca de maneiras de melhorar o Nafta”, afirmou Trudeau.

Qualquer movimento para acabar com o Nafta causaria grandes danos econômicos ao Canadá, que envia 75% de todas suas exportações para os EUA.

A Casa Branca anunciou recentemente a imposição de tarifas à madeira canadense e ameaçou fazer o mesmo com produtos lácteos do Canadá. Com relação ao México, Trump ameaçou impor tarifas aos automóveis montados no país para o mercado americano.

Especialistas em comércio dizem que pôr fim ao Nafta prejudicaria as economias dos três países. Para 38 Estados americanos o México e o Canadá representam seus maiores mercados estrangeiros. O comércio entre EUA, Canadá e México totaliza US$ 1,2 trilhão ao ano, quase o dobro do comércio entre EUA e China. / REUTERS, AP, EFE e AFP

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