Drew Angerer/Getty Images/AFP
Drew Angerer/Getty Images/AFP

Trump promete retaliação 'desproporcional' ao Irã em caso de ataque

Presidente americano mencionou a possibilidade de atacar instituições culturais do Irã, uma ação considerada crime de guerra pela lei internacional

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2020 | 20h24

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças ao Irã na tarde deste domingo, 5, três dias após um ataque de drone ordenado pelo mandatário ter matado o general iraniano Qassim Suleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã no Iraque.

"Caso o Ira ataque qualquer pessoa ou alvo norte-americano, os Estados Unidos vão retaliar rápida e totalmente, e talvez de maneira desproporcional", escreveu em seu perfil no Twitter. "Esse aviso legal não é necessário, mas é dado mesmo assim", completou.

No sábado, Trump já havia afirmado – também pelo Twitter – que tem 52 alvos iranianos na mira, sem dar sinais de tentar aliviar as tensões provocadas pelo ataque americano, ocorrido no aeroporto de Bagdá na quinta-feira.

"O Irã está falando muito ousadamente sobre alvejar certos ativos dos EUA", escreveu, sobre uma potencial vingança pela morte de Soleimani. O presidente afirmou ainda que os 52 alvos iranianos seriam de grande importância "para o Irã e a cultura iraniana". "Esses alvos, e o próprio Irã, serão atingidos com muita rapidez e com muita força”, afirmou.

O direcionamento a locais culturais com ação militar é considerado crime de guerra sob o direito internacional, incluindo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU apoiada pelo governo Trump em 2017 e a Convenção de Haia de 1954 para a proteção de bens culturais. "Eles têm permissão para usar bombas na estrada e explodir nosso povo, e não podemos tocar em seus locais culturais? Não é assim que funciona", disse ele.

Trump não identificou os alvos. O Pentágono encaminhou perguntas sobre o assunto à Casa Branca, que não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. "Os EUA não querem mais ameaças!", alegou Trump, acrescentando que os 52 alvos representavam os 52 americanos que foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã por 444 dias, a partie de novembro de 1979 – um ponto doloroso nas relações entre EUA e Irã.

Trump escolheu um número simbólico de potenciais alvos iranianos depois que um comandante sênior da Guarda Revolucionária Iraniana também mencionou um número específico de alvos americanos - 35 - para possíveis ataques de retaliação em resposta ao assassinato de Suleimani.

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