REUTERS/Jim Bourg
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Trump promete usar práticas de interrogatório banidas nos Estados Unidos

Magnata republicano diz que simulação de afogamento e ‘coisas muito piores’ voltarão a valer se ele for eleito presidente

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2016 | 03h00

WASHINGTON - Líder nas pesquisas de opinião entre os eleitores republicanos, Donald Trump prometeu retomar a simulação de afogamento e práticas “muito piores” do que esta caso seja eleito presidente dos EUA. A visão sobre a técnica de tortura usada durante do governo de George W. Bush e banida pelo Congresso ocupou parte do último debate do partido antes das primárias de New Hampshire, marcadas para amanhã.

O senador texano Ted Cruz, que ocupa o segundo lugar nas pesquisas, sustentou a tese de que a simulação de afogamento não é tortura - visão que se choca com a definição adotada em convenções da Organização das Nações Unidas (ONU) ratificadas pelos Estados Unidos. “De acordo com a lei, tortura é uma dor excruciante que é equivalente a perder órgãos ou sistemas”, afirmou Cruz, ecoando a posição adotada durante o governo Bush para justificar a prática.

Ainda assim, ele disse que não restabeleceria o uso generalizado da simulação de afogamento, mas aceitaria sua adoção em casos específicos, como um iminente ataque terrorista a uma cidade americana. O ex-governador da Flórida Jeb Bush defendeu o irmão e disse que a prática foi usada “com moderação” durante seu governo. Mas ele disse que não tentará mudar a legislação que proíbe sua aplicação. “O Congresso mudou as leis e eu acho que a posição atual é apropriada”, declarou durante o debate, realizado na noite de sábado.

Trump justificou sua posição com o fato de que cristãos estão sendo degolados no Oriente Médio. “Desde os tempos medievais que não vemos algo parecido. Eu traria de volta a simulação de afogamento e traria de volta coisas muito piores do que a simulação de afogamento.”

Em alta nas pesquisas, o senador Marco Rubio foi um dos principais alvos da noite. O governador de New Jersey, Chris Christie atacou sua falta de experiência no Poder Executivo: “Você nunca esteve envolvido em uma decisão significativa pela qual você poderia ser responsabilizado.”

Rubio foi o terceiro colocado nas primárias de Iowa, quase empatado com Trump e vinha ganhando espaço na preferência dos republicanos. Filho de imigrantes cubanos, o senador da Flórida criticou o presidente Barack Obama em virtude de sua tentativa de fechar a prisão de Guantánamo, localizada em Cuba e criada também durante o governo de George W. Bush. “Deveríamos pôr pessoas em Guantánamo, não esvaziá-la”, disse Rubio. 

Participam também das primárias do Partido Republicano o governador de Ohio, John Kasich, o cirurgião Ben Carson e a executiva Carly Fiorina.

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