REUTERS/Dado Ruvic
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Trump quer acesso a perfis na web de quem pede visto

EUA alegam ser difícil checar dados de cidadãos dos 7 países com restrições; já há controle eventual sobre redes sociais de viajantes

Cláudia Trevisan / Washington, O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2017 | 05h00

O governo dos EUA poderá vincular a concessão de determinados vistos ao fornecimento de senhas que permitam a análise das atividades do solicitante nas redes sociais. Essa é uma das medidas estudadas pela gestão Donald Trump para reforçar a segurança nas fronteiras no âmbito do decreto que suspendeu, por 90 dias, a entrada no país de cidadãos de sete países de maioria islâmica.

Nesse período, o governo pretende aplicar o que Trump chama de “verificação extrema” de estrangeiros que entram nos EUA, especialmente de regiões que a Casa Branca considera vinculadas ao terrorismo. 

“Nós queremos entrar em suas mídias sociais, com senhas. É muito difícil fazer a verificação de maneira real dessas pessoas nesses países”, disse o secretário de Segurança Doméstica, John Kelly, em depoimento no Congresso na terça-feira. “Mas se eles vêm para cá, nós queremos dizer que sites eles visitam e nos entreguem suas senhas. Assim, nós podemos ver o que eles estão fazendo na internet.” 

O general ressaltou que as mudanças ainda estão em estudo e não há garantia de que serão adotadas. Apesar de Kelly ter se referido aos sete países afetados pelo veto imposto por Trump, não está claro se as medidas seriam restritas a eles. O secretário também mencionou falhas na verificação do perfil de candidatos ao status de refugiados.

Ele respondia a uma pergunta do deputado Clay Higgins, que defendeu a vinculação dos pedidos de visto ao perfil público dos candidatos nas redes sociais, sem referência a países específicos. O Estado entrou em contato com o Departamento de Segurança Interna para tentar esclarecer a amplitude da proposta de Kelly, mas não obteve resposta.

Mesmo sem as mudanças cogitadas pelo secretário, a análise de atividades em mídias sociais começou a ser feita por alguns agentes de imigração depois da edição do decreto que restringe viagens aos EUA. O Comitê de Proteção dos Jornalistas disse que o repórter da BBC Ali Hamedani foi detido durante duas horas no aeroporto de Chicago dois dias depois da medida ser anunciada. Segundo a entidade, as autoridades analisaram a atividade dele no Twitter e checaram seu celular. De nacionalidade britânico-iraniana, o jornalista viajava com visto de imprensa. Depois do questionamento, sua entrada foi autorizada.

Mesmo sem a checagem de material eletrônico, há relatos recentes de mudança radical no comportamento dos agentes. Diretora do projeto de Segurança Nacional da American Civil Liberties Union (ACLU), Hina Shamsi, disse que foi questionada sobre suas atividades na organização quando retornou de uma viagem à América Central na semana passada. Residente nos EUA, ela tem um passaporte do Paquistão e precisou responder a uma série de perguntas sobre suas viagens anteriores e suas atividades na ACLU, a mais importante entidade de defesa de direitos civis dos EUA.

Trump atacou ontem os juízes encarregados de decidir se a liminar que suspendeu o seu decreto na sexta-feira continuará em vigor. O presidente classificou como “vergonhosas” declarações dadas por magistrados durante a audiência sobre o caso realizada na noite anterior. Trump também afirmou que até um “mau aluno de colegial” entenderia que seu decreto deve ser mantido.

Indicado por Trump para a Suprema Corte, o juiz Neil Gorsuch disse que os ataques do presidente ao Judiciário são “desanimadores” e “desmoralizadores”, de acordo com relato do senador Richard Blumenthal, com quem o magistrado se reuniu na tarde de ontem.

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