Tom Brenner/The New York Times
Tom Brenner/The New York Times

Trump queria secretário de Justiça à frente de investigação sobre Rússia para ter proteção

Principal advogado da Casa Branca tentou convencer Jeff Sessions a não se declarar impedido de conduzir o caso para 'defender os interesses' do presidente, segundo reportagem do 'NYT'; caso estaria sob análise do promotor especial, Robert Mueller

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 13h01

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atuou no ano passado para evitar que seu secretário de Justiça, Jeff Sessions, se declarasse impossibilitado de conduzir a investigação sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016, segundo reportagem do jornal The New York Times.

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Citando duas fontes com conhecimento sobre os acontecimentos, o NYT diz que em março Trump "deu instruções firmes" para que o principal advogado da Casa Branca convencesse Sessions sobre os interesses do presidente. 

Ainda segundo o jornal, apesar da pressão da opinião pública na época para que Sessions se afastasse do caso, Donald F. McGahn II cumpriu a ordem do presidente e tentou convencer o secretário de Justiça a continuar responsável pela investigação.

McGahn II, no entanto, não foi capaz de convencer o secretário de Justiça, o que teria irritado o presidente, que teve um acesso de raiva na frente de vários funcionários da Casa Branca. 

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As fontes relataram ao NYT que Trump afirmou precisar que seu secretário de Justiça o protegesse assim como ele acreditava que Robert F. Kennedy tinha protegido o irmão, John F. Kennedy, ou Eric H. Holder tinha protegido Barack Obama.

"Onde está meu Roy Cohn", teria questionado o presidente americano, se referindo ao seu ex-advogado e mentor, que foi o principal conselheiro do senador Joseph R. McCarthy durante as investigações sobre supostas atividades comunistas nos anos 50. Cohn, conhecido por resolver problemas empresariais de Trump, morreu em 1986.

O lobby em relação a Sessions a mando de Trump é um dos episódios até então desconhecidos que o promotor especial, Robert Mueller, descobriu durante seus esforços para determinar se o presidente obstruiu a investigação do FBI sobre o suposto conluio com agentes russos.

Os eventos ocorreram durante dois meses - do momento em que Sessions se declarou impedido, em março, até a nomeação de Mullher, em maio -, período no qual Trump acreditava estar perdendo o controle sobre a investigação.

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O jornal americano relata também que para Trump as investigações sobre a Rússia foram "fabricadas e politicamente motivadas". Trump teria escrito isso em uma carta que queria enviar para o então diretor do FBI, James Comey, mas que nunca chegou até seu destinatário após a atuação de conselheiros do presidente.

O promotor especial também teria recebido notas escritas à mão pelo ex-chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, mostrando que ele e o presidente falaram com Comey para exortá-lo a dizer publicamente que o presidente não estava sob investigação da agência.

Ty Cobb, advogado da Casa Branca designado para os assuntos relacionados à investigação do promotor especial, não quis comentar a reportagem do NYT

Os advogados de Trump afirmaram ao jornal que o presidente está cooperando totalmente com a investigação e expressaram total confiança de que o inquérito será encerrado em breve. Eles disseram acreditar que Trump não será acusado de qualquer crime. / NYT

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