Sandy Huffaker/Getty Images/AFP
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Trump queria trocar Porto Rico pela Groenlândia, diz ex-funcionário

Miles Taylor, ex-chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interna, disse que presidente americano expressou desejo enquanto governo realizava operações de apoio após furacões que devastaram a ilha caribenha em 2017

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2020 | 17h28
Atualizado 19 de agosto de 2020 | 19h14

WASHINGTON - O presidente Donald Trump queria vender Porto Rico ou trocar esse território dos Estados Unidos pela Groenlândia, que pertence à Dinamarca, por considerar o local sujo e pobre, segundo afirmou um ex-funcionário do alto escalão do governo americano nesta quarta-feira, 19.

Miles Taylor, que era chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interna, disse que Trump expressou essas opiniões enquanto o governo realizava operações de apoio depois que dois furacões devastaram a ilha caribenha em 2017.

Taylor afirmou ao canal MSNBC que, pouco antes de uma viagem de funcionários do governo em 2018, o presidente - que já falava com frequência sobre a aquisição da Groenlândia - sugeriu seriamente que ele poderia negociar Porto Rico.

"Ele nos disse não só que ele queria comprar a Groenlândia, ele realmente disse que queria ver se poderíamos vender Porto Rico, se poderíamos trocar Porto Rico pela Groenlândia, porque, em suas palavras, Porto Rico era sujo e o povo era pobre", contou Taylor.

O ex-funcionário disse não acreditar que os comentários de Trump fossem brincadeira. 

"Estes são americanos. Não falamos sobre nossos companheiros americanos dessa maneira", acrescentou. "E o fato de que o presidente dos Estados Unidos quisesse tomar um territóriodos americanos e trocá-lo por um país estrangeiro é mais que revoltante".

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Trump expressa há muito tempo desdém pela ilha de cerca de 3 milhões de habitantes, muitos dos quais vivem no continente, em especial na Flórida e em Nova York.

No ano passado, o presidente cancelou uma visita à Dinamarca depois que a primeira-ministra, Mette Frederiksen, recusou sua proposta de comprar a Groenlândia, classificando-a como "absurda", mas na época não houve menção a Porto Rico como parte do acordo sugerido. 

"O presidente expressou profunda animosidade em relação ao povo porto-riquenho nos bastidores", disse Taylor, que deixou o Departamento de Segurança em 2019 e esta semana divulgou seu apoio ao candidato democrata à presidência Joe Biden.

A campanha de Biden reagiu destacando que estas revelações confirmam o que muitos já sabiam.

"A política pública de Trump com relação a Porto Rico pode se resumir a uma falta de respeito pela vida humana, a inação frente à tragédia e, com frequência, racismo e discriminação aberta ao povo do Porto Rico", informou a campanha em um comunicado.

Na terça-feira, o presidente americano desqualificou Taylor no Twitter, dizendo que ele é um "ex-funcionário descontente". /AFP

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