Carolyn Kaster / AP
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Trump quis processar Hillary e ex-diretor do FBI, diz jornal

Ideia obrigou os advogados do republicano a redigirem um memorando alertando para as consequências da ação, que poderiam levar a um impeachment

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2018 | 06h02

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos seus conselheiros há alguns meses que queria processar adversários políticos como Hillary Clinton e o ex-diretor do FBI James Comey, uma ideia que obrigou os advogados do republicano a redigirem um memorando alertando para as consequências da ação, que poderiam levar a um impeachment. A informação foi publicada pelo jornal The New York Times nesta terça-feira, 20.

O então conselheiro Don McGahn disse ao presidente que ele não tinha autoridade para ordenar tal processo, e que os advogados da Casa Branca estavam preparando um memorando aconselhando a evitar a ação, disse uma pessoa com conhecimento no assunto que não quis se identificar pois não tem autorização para comentar o caso.

McGahn afirmou ainda que Trump poderia solicitar um inquérito, mas mesmo o pedido para isso poderia levar a acusações de abuso de poder, segundo o jornal. Presidentes normalmente tentam evitar qualquer ato que pareça exercício de influência sobre investigações do Departamento de Justiça

Mesmo com o alerta dos advogados, Trump continuou discutindo a ideia de processar adversários, incluindo a criação de um novo comitê especial para investigar Hillary e Comey, informou o New York Times, citando duas pessoas que falaram com o presidente sobre o assunto. 

O magnata já pediu publicamente diversas vezes que o Departamento de Justiça investigue Hillary, e chegou a escrever no Twitter sobre seu receio com relação ao que via como uma relutância do então procurador-geral, Jeff Sessions, em ir atrás de Hillary.

O ex-advogado de Trump John Dowd insistiu ao então procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein, em um memorando enviado em 2017 para que investigasse Comey e sua manipulação da investigação sobre os e-mails de Hillary - que teria utilizado uma conta pessoal para tratar de assuntos da Casa Branca.

No mesmo ano, Sessions disse que estava enviando promotores federais para analisar pontos levantados pelos republicanos com relação à Fundação Clinton e a transação envolvendo uma mina de urânio que teria beneficiado a empresa, que foi aprovada quando Hillary era secretária de Estado. O FBI vem investigando o caso.

Em março, Sessions disse aos legisladores que não estava pronto para indicar um conselheiro especial para investigar o FBI e um possível viés político. A Casa Branca não comentou as informações. / AP

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