Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Trump rebate Obama e esquenta disputa eleitoral nos EUA

Democrata havia criticado comportamento de líderes americanos durante o surto e hoje foi chamado de ‘incompetente’ pelo atual presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2020 | 19h28

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, rebateu neste domingo, 17, as declarações de seu antecessor Barack Obama, que havia criticado, no sábado, a resposta de seu governo à pandemia de coronavírus. “Ele (Obama) foi um presidente incompetente. É tudo o que eu posso dizer”, afirmou Trump, ao ser questionado por jornalistas sobre os comentários do ex-presidente.

A discussão entre presidente e ex-presidente é rara na política americana. Embora Trump tenha rompido com a tradição e venha criticando Obama desde que tomou posse, em janeiro de 2017, o democrata nunca havia publicamente criticado a Casa Branca. 

No sábado, Obama proferiu um discurso virtual para 27 mil formandos de 78 faculdades e universidades. Durante a cerimônia, o ex-presidente fez críticas pontuais à forma de o governo atual lidar com a crise de saúde pública nos EUA. “Mais do que tudo, essa pandemia finalmente acabou com a noção de que muitas das pessoas no poder sabem o que estão fazendo”, afirmou Obama. “Muitas delas nem sequer fingem que estão no comando.”

As declarações do ex-presidente esquentaram uma campanha presidencial que foi completamente abafada pela pandemia. O candidato democrata, Joe Biden, que foi vice-presidente durante os dois mandatos de Obama, vem fazendo campanha online. Trump, habituado a arrastar multidões para seus comícios, teve de cancelar os eventos e passou a arrecadar dinheiro pela internet. 

Até agora, as pesquisas favorecem Biden, que lidera com pouco mais de 4 pontos porcentuais as sondagens nacionais. A eleição americana, no entanto, é decidida de forma indireta, por um colégio eleitoral de 538 votos, que são alocados para os Estados, de acordo com a população – o que torna o resultado final mais imprevisível.

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Com mais de 1,5 milhão de casos confirmados e 90 mil mortos nos EUA, Trump vem tendo dificuldades para manter a imagem de que a resposta de seu governo foi rápida e eficaz. Diante da pressão, assessores, secretários e aliados republicanos tentam outras alternativas, como responsabilizar a China ou o governo de Obama, acusado de ter adotado políticas que dificultavam a implementação de testes para covid-19.

No fim de semana, os comentários de Obama foram a primeira resposta aos ataques do presidente. Em seu discurso virtual, o democrata também aproveitou para tentar reunir a base eleitoral do partido a seis meses da eleição, referindo-se a valores historicamente defendidos pelos democratas, como atendimento universal à saúde, igualdade econômica e defesa do meio ambiente. / NYT, WP e AFP 

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