Andrew Harnik/AP
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Trump reconhece que democratas têm votos para abrir julgamento político

Presidente manifestou, porém, confiança de que os republicanos, seus correligionários que compõem a maioria no Senado onde o processo será decidido, ficarão ao lado dele

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 17h14
Atualizado 11 de outubro de 2019 | 17h48

ASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta sexta-feira, 4, que os congressistas do Partido Democrata, de oposição, possuem votos suficientes para prosseguir com a abertura de um julgamento político contra ele na Câmara dos Deputados, mas ressaltou que o Senado, de maioria republicana, o absolverá.

"Os democratas, infelizmente, têm votos", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, ressaltando que a oposição "pagará um grande preço" nas eleições presidenciais do próximo ano se o julgamento político se concretizar.

O presidente manifestou confiança de que os republicanos, seus correligionários que compõem a maioria no Senado, onde o processo será decidido, ficarão ao lado dele. "Temos um ótimo relacionamento com o Senado. Os senadores veem isso como uma fraude", declarou.

A Câmara dos Deputados, presidida pela democrata Nancy Pelosi, precisa de uma maioria simples de 218 legisladores para enviar as acusações ao Senado. Os democratas ocupam 235 cadeiras das 435 da Câmara.

No Senado, o pedido deve ter o apoio de dois terços da Casa, ou seja, 67, para seguir com o processo político do presidente.

O país passa por um terremoto político desde que Pelosi anunciou uma investigação, na semana passada, para iniciar um possível julgamento político contra Trump por causa de uma conversa telefônica entre o republicano e o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, em julho.

Nela, Trump pediu ao ucraniano que investigasse o ex-vice-presidente Joe Biden, atual pré-candidato democrata para a eleição presidencial de 2020, e seu filho Hunter, por suposta corrupção no país.

Investigação sobre Warren na China 

Como se não bastasse o escândalo da Ucrânia, nesta sexta-feira o presidente se viu envolvido em outra frente. Segundo a CNN, Trump teria negociado com a China um pacto de silêncio sobre os protestos pró-democracia em Hong Kong em troca de obter algum progresso nas negociações comerciais com Pequim. A informação foi divulgada um dia depois de Trump pedir publicamente à China que também investigasse Biden. 

De acordo com a reportagem, que cita duas fontes que não quiseram se identificar, em um telefonema ao presidente da China, Xi Jinping, em 18 de junho, Trump também mencionou o nome da pré-candidata democrata à presidência Elizabeth Warren, que tem crescido nas pesquisas. 

As fontes não deram detalhes do conteúdo das discussões, mas afirmaram que os registros do telefonema foram arquivados em um servidor secreto, exatamente como foi feito com o diálogo com Zelenski. 

Em sua defesa, Trump disse ontem ter o “direito absoluto” e até a obrigação de combater a corrupção, “mesmo que isso signifique pedir ajuda de outro país”. “Isso não tem nada a ver com política ou com uma campanha contra os Bidens”, afirmou. “Isso tem a ver com a corrupção deles.”

Os democratas, no entanto, criticaram o súbito interesse do presidente pelo combate à corrupção e ao nepotismo, citando o caso recente de Ivanka Trump, filha do presidente, que está envolvida em um conflito de interesse na China. 

Ivanka obteve autorização para registrar várias marcas em seu nome na China dias depois que seu pai retirou restrições a uma empresa chinesa, a gigante das telecomunicações ZTE, que estava no centro das negociações comerciais entre Pequim e Washington. Ivanka é conselheira do pai, mas continua se beneficiando das vendas dos produtos de sua empresa, boa parte deles feitos na China. / EFE, AFP e REUTERS

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