EFE/Michael Reynolds
EFE/Michael Reynolds

Trump recua e diz acreditar em interferência russa na eleição de 2016

Na cúpula de Helsinque, presidente ignorou informações de inteligência dos EUA e disse confiar na palavra de Putin, que negou ter atuado em favor da campanha republicana

O Estado de S.Paulo

17 Julho 2018 | 16h18
Atualizado 17 Julho 2018 | 20h29

WASHINGTON - Tentando reduzir as críticas após o encontro de segunda-feira, na Finlândia, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin,  Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 17, que foi mal interpretado quando aceitou a palavra do líder russo, que havia negado a ingerência nas eleições americanas de 2016. Trump assegurou também que tem total confiança no serviço de inteligência dos EUA, que garante que o Kremlin atuou em favor de sua candidatura.

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Trump disse que o mal entendido ocorreu porque ele usou uma “negativa dupla”. “A frase deveria ter sido ‘Não vejo nenhuma razão para não ser a Rússia (responsável)’, um tipo de negativa dupla”, explicou Trump.

 

“Então, se você considerar isso, provavelmente, as coisas ficarão mais claras. Em numerosas ocasiões, eu destaquei nossas conclusões de inteligência de que os russos tentaram interferir em nossas eleições”, afirmou. No entanto, ele não mencionou sua declaração na segunda-feira de que tinha “confiança nos dois lados”, em resposta à pergunta sobre se ele acreditava na negativa de Putin.

Trump foi duramente criticado até por membros de seu partido por rejeitar as conclusões do serviços de inteligência dos EUA em Helsinque. Recuando em suas declarações, Trump disse que revisou as transcrições da entrevista coletiva conjunta de segunda-feira e percebeu “que deveria fazer alguns esclarecimentos”.

Após o término do encontro com Putin, na segunda-feira, Trump questionou publicamente as conclusões das agências de inteligência americanas sobre a interferência russa nas eleições presidenciais e disse que o presidente da Rússia “estava extremamente seguro em sua negativa”. Trump também disse que não via razões para a Rússia estar por trás dos ciberataque nas eleições. 

 

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“Meu pessoal e Dan Coats vieram até mim e disseram acreditar que tinha sido a Rússia”, disse Trump, referindo-se ao diretor de Inteligência Nacional. “O presidente Putin disse que não tinha sido a Rússia. Então, direi que não vejo nenhuma razão para ser”, havia afirmado Trump na entrevista coletiva de 46 minutos, na segunda-feira.

Nesta terça-feira, ele destacou: “Em uma frase-chave em minhas declarações, eu disse ‘para ser’, em vez de ‘para não ser’”. O presidente também disse: “Tenho total confiança em nossas agências de inteligência”. Ele prometeu que seu governo tentará agressivamente impedir os esforços da Rússia de interferir nas eleições de meio de mandato, em novembro.

Enquanto Trump falava que tinha “total confiança” em suas agências de inteligência, as luzes da sala da Casa Branca piscaram. Ele olhou em volta confuso e disse: “Devem ser as agências de inteligência.”

O presidente falou antes de um encontro na Casa Branca com congressistas republicanos. Trump, que tem se referido a ele mesmo como uma pessoa “com um gênio muito estável”, raramente corrige o que diz e geralmente culpa a mídia por ter divulgado notícias falsas.

As declarações de Trump foram feitas ontem após ele acusar, pelo Twitter, a imprensa de ter feito uma cobertura ruim de sua entrevista coletiva e acrescentou que a reunião com Putin foi melhor do que o encontro que ele teve com seus aliados na Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Apesar de ter tido uma grande reunião com a Otan, conseguindo uma elevada quantidade de dinheiro, tive um encontro ainda melhor com o presidente Vladimir Putin, da Rússia”, escreveu Trump, referindo-se a seus esforços para conseguir aumentar os gastos em defesa dos aliados dos EUA. “Infelizmente, isso não foi noticiado dessa forma – as fake news estão cada vez mais loucas”, declarou.  / NYT e W.POST

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