REUTERS/Joshua Roberts, Kevin Lamarque and Leah Millis
REUTERS/Joshua Roberts, Kevin Lamarque and Leah Millis

Trump recua e recoloca bandeira a meio mastro em homenagem a McCain

Presidência voltou bandeira à posição normal na manhã desta segunda-feira, desencadeando críticas

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 17h46

WASHINGTON - Depois de uma enxurrada de críticas, o presidente americano, Donald Trump, determinou que a bandeira dos EUA na Casa Branca fosse hasteada a meio mastro na tarde desta segunda-feira, 27, para homenagear o senador John McCain, morto no sábado

Dois dias depois da morte do senador, Trump, que havia se manifestado apenas pelo Twitter, emitiu um comunicado expressando "respeito" pelos serviços do senador e assinou uma proclamação sobre a bandeira. 

"Apesar de nossas diferenças na política, eu respeitava os serviços prestados pelo senador John McCain ao nosso país e, em sua honra, assinei uma proclamação para posicionar a bandeira dos EUA a meio mastro até o dia de seu enterro", afirma Trump no comunicado divulgado pela Casa Branca. 

Mais cedo, hoje, a Casa Branca inexplicavelmente voltou a bandeira à posição normal, depois de deixá-la a meio mastro na noite de sábado e no domingo em homenagem a McCain. 

 

O vaivém da bandeira amplificou a divisão entre o presidente e o senador, que morreu aos 81 anos vítima de um câncer de cérebro. Logo em seguida, Trump ofereceu suas condolências à família em um tuíte, sem dizer nada sobre o senador. 

Antes de morrer, McCain pediu para que Trump não comparecesse a seu funeral, uma atitude que fala muito sobre a relação entre o presidente e o senador. Trump ignorou perguntas sobre McCain e a bandeira durante um ato público na manhã desta segunda-feira. 

McCain era um dos poucos republicanos no Congresso que contrariava Trump e criticava publicamente seu estilo de liderança. O status da bandeira foi assunto nas redes sociais, jogando combustível nas discussões que alegavam que a altura da bandeira na Casa Branca e em outros prédios federais foi uma maneira de Trump de insultar McCain. 

Mais cedo, Trump postou mensagens no Twitter sobre futebol americano e golfe. Um grupo de veteranos, VoteVets, criticou o presidente sobre a situação. "Donald Trump se recusou a baixar a bandeira por John McCain. Como dissemos antes, Donald Trump é patético, egocêntrico, baixo e covarde", escreveu o grupo em sua conta no Twitter. 

O presidente sempre se pronuncia após eventos significativos, como um ataque a tiros ou a morte de figuras importantes, especificando por quanto tempo as bandeiras oficiais devem ficar a meio mastro nos prédios federais, postos militares e outras instalações, como embaixadas. Mas não houve nenhuma recomendação nesse caso.

Não estava imediatamente claro se a bandeira na Casa Branca voltou à posição normal sob a orientação do presidente, ou se ela foi levantada automaticamente já que não havia uma proclamação oficial do presidente para permanecer a meio mastro. De acordo com o código da Bandeira dos EUA sobre baixá-la é que ela deve ficar nessa posição no dia da morte de um membro do Congresso e no dia seguinte.  

Comunicado 

Trump rejeitou no fim de semana emitir um comunicado preparado pela Casa Branca que teria qualificado McCain de "herói", segundo informou o jornal The Washington Post.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, o chefe de gabinete, John Kelly, e outros funcionários da Ala Oeste defenderam emitir um comunicado oficial quando McCain morresse, que louvasse o serviço militar do senador e o chamasse de "herói", por causa do seu desempenho no Vietnã, onde foi prisioneiro de guerra.

Mas Trump rejeitou a versão final desse comunicado e disse que preferia reagir no Twitter, de acordo com o jornal, que cita funcionários e ex-funcionários da Casa Branca.

Essa decisão rompe com o protocolo habitual dos presidentes dos EUA, que costumavam emitir comunicados destacando as conquistas e proezas de personalidades destacadas depois de sua morte, e sobretudo ilustra o grau de animosidade que Trump sente ainda por McCain.

As diferenças entre ambos companheiros de partido eram notórias desde a campanha eleitoral de Trump em 2015, quando minimizou o fato de que McCain tivesse sido prisioneiro de guerra durante cinco anos no Vietnã, e disse que preferia "as pessoas que não foram capturadas".

McCain será enterrado no próximo domingo, dia 2 de setembro, na Academia Naval de Annapolis (Maryland), depois do velório no Capitólio, uma honra reservada a muito poucos. / NYT e EFE

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