AFP PHOTO / Mandel NGAN
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Trump recuou de proposta para restringir venda de armas, diz NRA

Um dos principais lobistas da Associação Nacional do Rifle afirmou após encontro na Casa Branca com o presidente americano e seu vice que ambos 'apoiam a Segunda Emenda, apoiam processos mais duros e não querem um controle sobre (a venda de) armas'

O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 13h33

WASHINGTON - Um dos principais lobistas da Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês) afirmou na noite de quinta-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, recuou de seu surpreendente apoio a medidas de controle sobre a venda de armas depois de uma reunião com funcionários da NRA e vice-presidente Mike Pence na Casa Branca.

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Cris Cox informou em sua conta no Twitter que se reuniu com Trump e Pence. O lobista afirmou que "todos querem escolas seguras e uma reforma (do sistema) de saúde mental que mantenha as armas longe de pessoas perigosas". 

"POTUS (sigla em inglês para presidente dos EUA) e VPOTUS (sigla em inglês para vice-presidente dos EUA) apoiam a Segunda Emenda, apoiam processos mais duros e não querem um controle sobre armas", afirmou Cox usando a hashtag #MAGA (Make America Great Again, slogan de Trump na campanha à Casa Branca.

Cerca de uma hora depois, Trump também usou a rede social para comentar a reunião. "Boa (ótima) reunião no Salão Oval nesta noite com a NRA!", escreveu o republicano. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, não forneceu detalhes da reunião, que não tinha sido informada previamente. A NRA também não comentou sobre o encontro. 

Mas as mensagens complementares no Twitter sugerem que o grupo de apoio às armas precisou de apenas um dia para persuadir o presidente a desistir de seu aparente apoio ao controle sobre a venda de armas feito durante um encontro com membros do Congresso transmitido pela TV.

Na reunião, Trump pediu leis abrangentes que, entre outras coisas, apliariam a checagem de antecedentes para a venda de armas de fogo pela internet e em feiras e exposições armamentistas - medida defendida por democratas, mas execrada pela NRA.

O presidente também tinha surpreendido os legisladores de ambos partidos ao sugerir que apoiaria medidas para permitir que as autoridades tomassem armas de pessoas com doenças mentais ou aqueles que poderiam representar perigo.

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"Eu gosto de retirar as armas preventivamente. Remova as armas primeiro e façam o devido processo (de verificação) depois", afirmou Trump.

Depois da mensagem de Cox na noite de quinta, vários ativistas expressaram sua resignação em relação à aparente mudança de Trump. "Não surpreende, mas não deixa de ser revoltante", afirmou no Twitter Matt Bennett, um defensor do controle sobre a venda de armas e membro sênior de um tink tank de centro esquerda em Washington. / NYT

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