Alex Brandon/AP Photo
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Trump rejeita Taiwan, agrada a China e retoma política tradicional para Ásia

Casa Branca se compromete a honrar princípio chinês contrário à busca taiwanesa por reconhecimento como país; presidente americano se afasta de discurso da campanha eleitoral, em que prometeu cobrar mais dos japoneses por proteção militar

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2017 | 05h00

Depois de colocar em dúvida o compromisso com a defesa do Japão e questionar o princípio de “uma só China”, Donald Trump sucumbiu a posições tradicionais da política externa americana em relação à Ásia. Na quinta-feira, ele conversou pela primeira vez desde sua posse com o presidente chinês, Xi Jinping, e se comprometeu a abandonar gestos simpáticos à independência de Taiwan.

Trump recebeu ontem na Casa Branca o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e reiterou o compromisso “inabalável” dos EUA com a defesa do Japão, o principal aliado americano na Ásia, que vê com apreensão a crescente agressividade da China sobre territórios disputados por diferentes países da região. Durante a campanha, ele prometeu obrigar Tóquio a pagar mais pela cobertura militar americana.

No comunicado conjunto que divulgaram depois do encontro, Trump e Abe reiteraram que o tratado de segurança que une os dois país desde 1960 abrange as ilhas Senkaku, reivindicadas pelos chineses, que se referem a elas pelo nome Diaoyu. Os dois líderes também reiteraram a importância da liberdade de navegação e da regulação de questões marítimas nos termos da legislação internacional.

Pequim reivindica soberania sobre várias ilhas do Mar do Sul da China. Se as pretensões fossem atendidas, grande parte da região deixaria de estar em águas internacionais de livre navegação. Em 2016, um tribunal arbitral decidiu uma das disputas territoriais em favor das Filipinas, mas o governo chinês se recusou a cumprir a decisão.

“Eu tive uma conversa muito boa ontem com o presidente da China. Foi uma conversa muito calorosa. Estamos no processo de nos darmos muito bem, o que também beneficiará o Japão”, declarou Trump ao lado de Abe na Casa Branca. “Nós estamos tendo conversas com vários representantes da China e eu acredito que vai funcionar bem para todo mundo, China, Japão, Estados Unidos e todo mundo na região”, ressaltou o presidente, sem indicar como pretende solucionar tensões e conflitos que se aprofundaram em anos recentes.

A conversa telefônica com Xi só foi possível porque Trump abandonou o questionamento do princípio de uma só China, que evita que Taiwan seja tratado como um país independente. Em dezembro, o então presidente eleito dos EUA aceitou uma ligação de felicitações da presidente da ilha, Tsai Ing-wen, o que enfureceu os chineses e retardou o telefonema entre os líderes da primeira e da segunda maiores economias do mundo.

“O presidente Trump concordou, a pedido do presidente Xi, em honrar a política de ‘uma só China’”, disse nota da Casa Branca sobre a conversa.

Impasse. A Parceria Transpacífico (TPP) era parte da estratégia de contenção geopolítica da China desenhada na gestão Barack Obama com apoio do Japão. A retirada dos Estados Unidos do acordo foi uma das primeiras medidas de Trump na presidência, o que desagradou Tóquio. Apesar da decisão, o Japão ratificou o acordo e indicou que tentará convencer o governo americano a rever sua posição. “Nós vamos continuar a ressaltar o significado estratégico e econômico (do TPP) junto à nova administração Trump”, disse o ministro do Comércio japonês, Hiroshige Seko, no fim de janeiro.

No comunicado de ontem, os dois líderes anunciaram o início de discussões sobre um possível acordo comercial bilateral. Mas o Japão ressaltou que “continuará a promover progresso regional com base em iniciativas existentes”.

 

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