Saul Loeb e Ed Jones / AFP
Saul Loeb e Ed Jones / AFP

Pentágono ameaça Coreia do Norte com 'resposta esmagadora'

Secretário de Defesa americano se manifesta contra ‘qualquer ameaça’ aos EUA e aliados

O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2017 | 09h12
Atualizado 03 Setembro 2017 | 21h58

WASHINGTON - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, prometeu neste domingo, 3, que haverá uma “grande resposta militar” por parte de seu país para “qualquer ameaça” da Coreia do Norte ao território americano, incluindo a Ilha de Guam, no Pacífico, e a seus aliados, referindo-se a Coreia do Sul e Japão, sobre o qual o regime de Pyongyang disparou um míssil dias atrás.

Mattis disse à imprensa, após participar de uma reunião com o presidente Donald Trump, que essa resposta militar será “eficaz e esmagadora”, mas esclareceu que os EUA não buscam a “aniquilação” da Coreia do Norte, mas tem “muitas opções” para poder fazê-lo.

Na sequência, o presidente americano também criticou a China, principal aliado da Coreia do Norte no cenário internacional, na condução do conflito diplomático. "A Coreia do Norte é um país parasita que se tornou uma grande ameaça e constrangimento para a China, que está tentando ajudar mas com pouco sucesso", Trump tuitou.

O secretário de Defesa dos EUA enfatizou que todos os integrantes do Conselho de Segurança da ONU, que se reunirá hoje, estão unidos “de maneira unânime” diante da crescente “ameaça” representada por Pyongyang e comprometidos com a desnuclearização da Península Coreana.

Mattis fez a declaração após Trump alertar que está avaliando suspender o comércio com qualquer país que faça negócios com a Coreia do Norte e insinuar que não descartava a possibilidade de um ataque ao país asiático após o novo teste.

O presidente deixava uma igreja próxima da Casa Branca, onde assistiu a uma cerimônia pelas vítimas do furacão Harvey, quando um jornalista lhe perguntou se ele tinha planos de atacar a Coreia do Norte.

“Já veremos”, respondeu Trump de forma evasiva.

No início de agosto, Trump havia advertido a Coreia do Norte de que poderia responder às suas ameaças com “fogo e fúria jamais vistos no mundo”, após as informações de que Pyongyang tinha fabricado uma ogiva nuclear miniaturizada que poderia ser instalada em um de seus mísseis balísticos.

O regime norte-coreano, por sua vez, revelou que preparava um plano para disparar dois mísseis de médio alcance que atingiriam águas territoriais de Guam, sede de uma base naval estratégica dos EUA.

Em sua primeira reação após Pyongyang realizar seu sexto e mais potente teste nuclear, Trump disse no Twitter que “as palavras e ações da Coreia do Norte continuam a ser muito hostis e perigosas para os Estados Unidos”.

“A Coreia do Norte realizou um importante teste nuclear. É uma nação desonesta que se transformou em uma ameaça e uma vergonha para a China, que tenta ajudar, mas com pouco sucesso”, disse Trump na rede social.

O líder americano alertou novamente que as tentativas de “apaziguar” o governo da Coreia do Norte não estão funcionando. Na quarta-feira, ele disse no Twitter que “conversar não é a resposta para crise”.

A Coreia do Sul “está se dando conta, tal como eu disse, que suas conversas para apaziguar a Coreia do Norte não funcionam, eles (os norte-coreanos) só entendem uma coisa!”, disse ainda o chefe de Estado, criticando a Coreia do Sul, um antigo aliado dos EUA.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, assumiu o cargo em maio com a proposta de retomar a política de reaproximação com a Coreia do Norte, que havia sido abandonada por sua antecessora, Park Geun-hye.

A Coreia do Sul abriga 23,5 mil soldados americanos e vários equipamentos de guerra fornecidos por seu aliado histórico. A gestão Trump sustenta que todas as opções estão sobre a mesa para responder à ameaça nuclear norte-coreana, inclusive a ação militar. Mas qualquer ofensiva provocaria retaliação imediata de Pyongyang, que poderia atacar de maneira imediata a capital Seul, onde vivem 10 milhões de pessoas.

Trump também afirmou na rede social que está estudando a possibilidade de encerrar “todo o comércio” com os países que tiverem negócios com Pyongyang. Essa medida poderia ter forte impacto na China, o principal apoio econômico da Coreia do Norte, que é vista como o único país a ter verdadeira influência sobre o vizinho.

Embargo

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse, por sua vez, que o governo dos EUA está avaliando novas sanções contra a Coreia do Norte após o teste nuclear. “Podemos fazer muito para isolar o país economicamente, muito mais do que já fizemos”, advertiu Mnuchin em uma entrevista à emissora Fox.

Além disso, o secretário do Tesouro antecipou que planeja elaborar uma lista com novas sanções para a Coreia do Norte que apresentará ao presidente. Mnuchin disse que pedirá a Trump que considere fortemente a hipótese de impor embargo total com as novas sanções. “Se os países querem fazer negócio com os EUA, obviamente estarão trabalhando com nossos aliados para bloquear economicamente a Coreia do Norte”, disse Mnuchin. / CLÁUDIA TREVISAN, EFE, AFP e REUTERS

 

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