Jabin Botsford / Washington Post
Jabin Botsford / Washington Post

Trump retirará metade dos militares americanos do Afeganistão, diz jornal

Mudança de estratégia em relação à Síria e ao Afeganistão abre um cenário de incerteza no Oriente Médio e na Ásia Central; para Cabul, medida ‘não vai impactar a segurança’ do país

Redação, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2018 | 11h34

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar do Afeganistão uma "significativa" quantidade de militares que estão no país, informou nesta quinta-feira, 20, uma fonte americana que pediu para não ser identificada. "A decisão já foi tomada. Teremos uma retirada significativa."

Segundo o Wall Street Journal, mais de 7 mil militares americanos serão retirados do país. A decisão surge no momento em que os EUA promovem um acordo de paz com os taleban.

Atualmente, Washington tem cerca de 14 mil homens no Afeganistão, na missão da Otan de apoio às forças afegãs e em operações de combate ao terrorismo. Trump tomou a decisão na terça-feira, no mesmo dia em que informou ao Pentágono seu desejo de retirar as tropas americanas da Síria. Nesta quinta, o secretário de Defesa, Jim Mattis, abandonou o cargo argumentando que seus pontos de vista não estão alinhados com os do presidente.

A mudança de estratégia em relação à Síria e ao Afeganistão abre um cenário de incerteza no Oriente Médio e na Ásia Central. Em 2017, Mattis convenceu Trump a se comprometer com o envio de milhares de homens ao território afegão, onde os taleban massacravam as forças locais e conseguiam importantes avanços.

Impacto na segurança

Para a presidência do Afeganistão, a retirada de militares estrangeiros "não vai impactar a segurança". "Caso se retirem do Afeganistão, isto não vai afetar a segurança, já que há quatro anos e meio os afegãos exercem pleno controle sobre a segurança", disse o porta-voz do presidente Ashraf Ghani, Haroon Chakhansuri, nas redes sociais.

A presidência afegã tentou minimizar a importância do anúncio inesperado. Uma retirada precedente de quase 100 mil militares estrangeiros em 2014 provocou temores sobre a "queda do Afeganistão", destacou o porta-voz da presidência, mas "nossas forças de segurança corajosas demonstraram, graças a seu sacrifício, que esta análise era falsa e defenderam a integridade territorial e nosso povo".

O anúncio repentino surpreendeu altos funcionários e diplomatas em Cabul, que disseram estar preocupados com as consequências. / AFP

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