REUTERS/Jim Bourg
REUTERS/Jim Bourg

Trump revê alvos de ato contra imigrantes

Iraquianos e detentores de vistos e green card devem ter entrada permitida no país

O Estado de S.Paulo

02 de março de 2017 | 05h00

WASHINGTON -  novo decreto do presidente americano, Donald Trump, sobre imigração, que deveria ter sido divulgado ontem, será mais brando que a versão inicial barrada pela Justiça. As principais mudanças incluem a retirada do Iraque da lista de países com cidadãos barrados nos Estados Unidos. Detentores de vistos e green cards não serão afetados e o decreto terá um cronograma de implementação, sem validade imediata.

A Casa Branca revisava na noite de ontem os detalhes finais do decreto. Outra mudança em relação a medida vetada na Justiça é que na nova versão não haverá exceções para minorias religiosas, especialmente cristãs. No texto original, Trump foi alvo de críticas por estar restringindo a proibição de entrada nos Estados Unidos apenas a muçulmanos. 

Mudanças de última hora no decreto, segundo fontes ouvidas pelo Washington Post na noite de ontem, ainda eram possíveis. O comandante da operação americana contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, general Stephen Towsend, disse ser contrário a manutenção do Iraque no novo decreto e celebrou o país como “um parceiro e um aliado”.

“Eles nos protegem aqui. Estamos combatendo um inimigo como aliados”, disse ele.

A decisão da Casa Branca de adiar a assinatura do decreto ocorreu depois do discurso de Trump ao Congresso na noite de terça-feira, no qual o presidente mostrou um tom mais consensual e menos sectário, que foi bem avaliado por parte do eleitorado. 

Uma pesquisa divulgada pela rede de TV CNN indica que sete em cada dez americanos que assistiram ao discurso ficaram mais otimistas com a direção do país. Pelo menos dois terços disseram que o presidente sabe quais são as prioridades do país. 

Segundo a rede de TV CNN, a Casa Branca decidiu adiar a assinatura do decreto - prevista para ontem - para aproveitar a cobertura positiva na mídia do discurso de terça-feira. “Queremos que o decreto tenha seu próprio momento”, disse uma fonte à CNN.

O decreto original de Trump vetava a entrada temporária nos Estados Unidos de cidadãos de sete países - Iraque, Irã, Síria, Sudão, Líbia, Somália e Iêmen. Além disso, proibia a recepção de refugiados sírios no país por três meses. A exceção era feita a minorias religiosas, especialmente cristãos. 

Nos primeiros dias em que esteve em vigor, o decreto causou confusão em aeroportos e postos de fronteira. Detentores de visto de permanência, estudo e trabalhos provenientes desses países também tiveram a entrada negada nos Estados Unidos. 

A situação foi revertida na Justiça depois de os Estados de Washington e Minnesota entrarem na Justiça contra o decreto. Um juiz federal e posteriormente um painel federal deram ganho de causa aos Estados e derrubaram o decreto. / WPOST 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.