Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Trump revela nesta segunda nova estratégia dos EUA para a Ásia

Presidente americano dará detalhes sobre novas ações militares no Afeganistão e no Paquistão em pronunciamento às tropas estacionadas na região e ao país no horário nobre da TV

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 05h00

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciará nesta segunda-feira, 21, sua decisão sobre a nova estratégia americana no Afeganistão em um discurso às tropas americanas e ao país, quase 16 anos após o início do conflito. A informação foi divulgada no domigo pela Casa Branca por meio de um comunicado.

 

“O presidente Trump fará uma atualização do caminho para o envolvimento dos Estados Unidos no Afeganistão e no sul da Ásia em um discurso que será transmitido às 21 horas (22 horas de Brasília) da base militar em Fort Myer, a sudoeste de Washington”, diz o texto.

Será o terceiro pronunciamento do presidente americano no horário nobre da TV. Em fevereiro, sua fala ao Congresso, uma tradição anual da política dos EUA, foi transmitida em cadeia nacional. Antes, em janeiro, ele fez sua estreia em discursos ao país ao anunciar Neil Gorsuch como sua escolha para a Suprema Corte.

Na sexta-feira, Trump reuniu os principais oficiais de segurança em Camp David, no Estado de Maryland, para avaliar as suas opções no difícil conflito afegão. Após o encontro, ele disse que “muitas decisões” foram tomadas, mas não deu detalhes.

Cuidadoso em relação ao envolvimento internacional, mas ansioso pelo progresso na guerra afegã, Trump havia prometido um novo plano até meados de julho. Várias vezes, o presidente americano declarou estar insatisfeito com as propostas iniciais de enviar mais soldados ao Afeganistão e seus conselheiros estudavam uma estratégia expandida para o sul da Ásia, incluindo o Paquistão.

Fontes do governo americano que participaram do processo de tomada de decisão do presidente afirmaram que a medida demorou para ser tomada porque Trump não queria aceitar a necessidade de uma estratégia regional mais ampla ao invés de focar apenas na questão das tropas no Afeganistão. Os dois, no entanto, se recusaram a antecipar o teor da declaração do republicano antes do discurso de hoje.

A bordo de um avião militar a caminho da Jordânia, o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, afirmou no domingo que a estratégia foi tomada depois de um rigoroso debate. Mattis parecia satisfeito depois do que descreveu como uma “revisão profunda da política por parte do gabinete do presidente e de altos funcionários da área de segurança”.

“Estou muito tranquilo, porque o processo estratégico foi suficientemente rigoroso e não teve uma posição predeterminada. Ouvimos todos os que tinham imparcialidade”, disse o general, incluindo as agências responsáveis pelo financiamento do esforço de guerra. “É uma estratégia para todo o sul da Ásia, não uma estratégia apenas sobre o Afeganistão.”

Os EUA têm hoje cerca de 8,4 mil soldados e contam com apoio de 5 mil homens da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O objetivo é ajudar as forças de segurança do Afeganistão na luta contra o Taleban e outros militantes. A situação, porém, continua complicada no terreno, com mais de 2,5 mil policiais e soldados afegãos mortos de janeiro a maio. 

Nafta

EUA, Canadá e México encerraram no domingo a primeira rodada de renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Apesar da vontade de que o diálogo se conclua rapidamente, diplomatas envolvidos no processo disseram que as negociações estavam rápidas demais, que as divergências não poderiam ser superadas no prazo estabelecido pelos três governos.

Os três países têm grandes diferenças em questões-chave e planejam se reunir a cada três semanas até o final do ano para concluir o trabalho antes das eleições de 2018 nos Estados Unidos e no México. A próxima etapa acontecerá entre 1º e 5 de setembro, no México. A terceira e a quarta rodada, respectivamente, estão previstas para Canadá e EUA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou acabar com o bloco econômico de 23 anos, constantemente descrito durante a campanha como um “desastre” que custou aos americanos centenas de milhares de empregos. As declarações deixaram o governo mexicano em situação delicada, já que os americanos são responsáveis por 80% das exportações do México. / REUTERS, EFE e AFP

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