Leah Millis/Reuters
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Trump diz que está tomando hidroxicloroquina para se proteger do coronavírus

Ensaios clínicos, pesquisas acadêmicas e análises científicas indicam que o perigo da droga é um risco significativamente alto de morte para certos pacientes, principalmente aqueles com problemas cardíacos; país supera 90 mil mortos

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 17h57
Atualizado 18 de maio de 2020 | 18h57

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, fez uma revelação surpreendente nesta segunda-feira, 18, ao afirmar que está tomando, sem estar doente, a hidroxicloroquina, um medicamento antimalária que divide os especialistas médicos sobre sua eficácia no combate à infecção pelo novo coronavírus.

Destacando que testou negativo para a covid-19 e que não tem sintomas da doença, Trump disse que está tomando o remédio "há cerca de uma semana e meia". "Eu tomo o comprimido todos os dias", afirmou, acrescentando que também toma zinco preventivamente.

Ensaios clínicos, pesquisas acadêmicas e análises científicas indicam que o perigo da droga é um risco significativamente alto de morte para certos pacientes, principalmente aqueles com problemas cardíacos. Trump afastou essas preocupações, dizendo que ouviu falar dos benefícios da droga por parte de médicos e outras pessoas com quem conversou.

Consultado sobre o porquê, ele disse: "porque eu acho que é bom". "Ouvi um monte de boas histórias. E se não for bom, eu direi a você. Não vou me prejudicar com isso”, disse. "Já existe há 40 anos - para malária, lúpus e outras coisas. Eu tomo, trabalhadores da linha de frente (no combate ao coronavírus) tomam, muitos médicos tomam."

O presidente dos EUA abraçou a ideia de que a cloroquina serviria como tratamento para os infectados pelo novo coronavírus antes da comprovação científica da ideia. Contrariando médicos e especialistas de dentro da Casa Branca, o americano vendeu, em 19 de março, a esperança de que a droga "muito poderosa" poderia ser usada na batalha contra a covid-19. 

Mas desde o fim de abril o americano parecia ter silenciado sobre a droga e, quando mencionava o medicamento antimalária, relativiza o seu sucesso. "Nós temos muitos bons resultados e temos alguns resultados que talvez não sejam tão bons", respondeu Trump em 23 de abril, depois de ser questionado por jornalistas sobre ter parado de defender o uso do medicamento. Nesta segunda-feira, porém, ele declara que está usando a hidroxicloroquina.

A Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA) advertiu no fim de abril sobre o risco do uso da droga fora de um hospital devido aos possíveis efeitos colaterais. Além disso, não há evidências suficientes de que a hidroxicloroquina funcione profilaticamente para prevenir a covid-19, segundo um estudo publicado no fim de abril no International Journal of Rheumatic Diseases

 

90 mil mortos

Os Estados Unidos superaram nesta segunda-feira a marca das 90 mil mortes e 1,5 milhão de casos registrados de covid-19, segundo contagem da Universidade Johns Hopkins, que revelou um salto de 10 mil óbitos pelo novo coronavírus em uma semana.

A marca dos 80 mil mortos foi cruzada na segunda-feira passada e a dos 50 mil, há pouco mais de três semanas (24 de abril). Os Estados Unidos são de longe o país do mundo que, segundo cifras oficiais, tem o maior número de mortes e casos detectados da doença.

Só o Estado de Nova York representa quase um terço das mortes reportadas nos EUA, com mais de 28,3 mil óbitos relacionados com a doença, segundo a Universidade Johns Hopkins. As autoridades estaduais contabilizavam apenas 22,7 mil mortes, mas esta cifra não incluiu, entre outras, as mortes "provavelmente relacionadas" com o vírus, que são de vários milhares, segundo a cidade.

Espera-se que os EUA registrem 112 mil mortes antes de 6 de junho, segundo média de 20 modelos epidemiológicos produzidos por pesquisadores da Universidade de Massachusetts.

No país, foram realizados quase 11,5 milhões de testes, segundo a Johns Hopkins, e 272 mil pessoas se declararam curadas. / AFP e W. Post 

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