Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Trump revoga acesso do ex-chefe da CIA a informações confidenciais

Presidente americano determinou fim da credencial de segurança de John Brennan, um crítico de seu governo, em razão do 'risco representado por sua conduta e comportamento erráticos'; porta-voz diz que medida pode ser aplicada a outros ex-funcionários

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2018 | 16h18

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou a habilitação de segurança do ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, em inglês), John Brennan, informou a Casa Branca nesta quarta-feira, 15, negando a este crítico do presidente qualquer acesso a informações confidenciais. 

"Historicamente, os ex-chefes de inteligência e as agências de aplicação da lei foram autorizados a manter o acesso a informações confidenciais após o seu serviço governamental para que possam consultar seus sucessores", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, lendo um comunicado de Trump.

"Em primeiro lugar, nesse ponto de minha administração, qualquer benefício que os altos funcionários recebam das consultas com Brennan agora é superado pelo risco representado por sua conduta e comportamento erráticos", completou.

"Em segundo lugar, esta conduta e comportamento testaram e excederam em muito os limites de qualquer cortesia profissional que pudesse ser devida a ele", afirmou Trump, na declaração. "O sr. Brennan tem um histórico que coloca em dúvida sua objetividade e credibilidade."

No mês passado, Sarah disse que o presidente estava "considerando remover" os acessos de segurança de Brennan e de pelo menos meia dúzia de outros ex-funcionários do alto escalão da segurança americana ou de agências de inteligência que trabalharam nos governos de Barack Obama e George W. Bush.

Na ocasião, a possibilidade foi amplamente criticada por atuais e ex-funcionários do governo americano, além de analistas de segurança, que acusaram o governo do republicano de retaliação política contra críticos que poderia abrir um perigoso precedente.

Críticas na web

A decisão de Trump contra Brennan foi tomada um dia depois de o ex-diretor da CIA usar sua conta no Twitter para criticar os comentários do presidente em relação à sua ex-assessora Omarosa Manigault Newman, a quem o republicano chamou de "cachorra" e "demente" em mensagem publicada na mesma rede social.

"É surpreendente a frequência com que você falha em viver com um mínimo padrão de decência, civilidade e probidade. Parece que você nunca entenderá o que significa ser presidente, nem o que é preciso para ser uma pessoa boa, decente e honesta. É tão desanimador, tão perigoso para a nossa nação", escreveu Brennan. / AFP e REUTERS

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