AP Photo/Acervo
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Trump se envolveu diretamente na compra do silêncio de Stormy Daniels durante campanha

Novos documentos revelam conversas entre o presidente dos EUA e seu então advogado, além do dono de uma editora, para a compra do silêncio de duas mulheres durante a campanha presidencial de 2016

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2019 | 18h54

NOVA YORK - Documentos liberados nesta quinta-feira, 18, por ordem de um juiz detalharam comunicações intensas entre o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, sua equipe de campanha, o então advogado pessoal dele, Michael Cohen, e outros para comprar o silêncio de uma atriz pornô que disse ter tido um encontro sexual com Trump. O pagamento foi feito durante a campanha presidencial de 2016, com dinheiro destinado ao financiamento da campanha.

Na quarta-feira, o juiz William Pauley, de Manhattan, ordenou que o material, usado por procuradores para obter um mandado de busca para a casa e o escritório de Cohen em 2018, fosse divulgado na manhã desta quinta-feira. Ele não viu razão para manter os documentos em segredo depois que os procuradores lhe disseram que a investigação sobre os pagamentos havia terminado. Segundo fontes, decidiu-se que nenhuma outra condenação seria aplicada. 

Com isso, o atual advogado de Trump, Jay Sekulow, afirmou nesta quinta que as investigações foram encerradas devido às alegações "ridículas" das acusantes e do próprio Cohen, e negou que o presidente tenha quebrado as regras de financiamento de campanha. 

Em agosto de 2018, Cohen, de 52 anos, se declarou culpado de violar a lei de financiamento de campanha, e hoje cumpre uma sentença de três anos de prisão. Um pagamento de US$ 130 mil foi destinado à atriz pornô Stormy Daniels, e outro de US$ 150 mil à modelo da Playboy Karen McDougal para evitar um escândalo pouco antes da eleição presidencial de 2016.  As duas disseram ter tido encontros sexuais com Trump mais de uma década atrás e que o dinheiro tinha como fim comprar seu silêncio.

Trump negou os encontros, porém no mesmo mês confirmou os pagamentos, afirmando que foram feitos com seu dinheiro pessoal, e não da campanha, assim não violando a lei.

Os documentos revelam telefonemas e mensagens de texto frequentes envolvendo Cohen, funcionários de Trump e a American Media Inc (AMI), a editora do tablóide National Enquirer, para tentar impedir que o relato da atriz sobre seu relacionamento com Trump prejudicasse suas chances eleitorais.

Trump participou de alguns telefonemas, como mostram os documentos. Uma mensagem de texto de Cohen aparentemente descreveu Trump como “irritado”.

A solicitação do mandado de busca descreveu um telefonema de 8 de outubro de 2016, cerca de um mês antes da eleição, entre Trump, Cohen e Hope Hicks, então porta-voz da campanha presidencial, que procuradores acreditam ter tido por meta debater os pagamentos para abafar relatos públicos sobre um caso entre Trump e Stormy.

Alguns minutos após o telefonema, Cohen ligou para David Pecker, presidente da AMI próximo de Trump, e depois recebeu uma ligação de outro funcionário da mesma empresa. Pouco tempo depois, Cohen falou com Hope por telefone durante cerca de dois minutos. As ligações entre a campanha Trump, a AMI e Cohen continuaram noite adentro.

Procuradores disseram que os telefonemas ocorreram para debater um pagamento para Keith Davidson, então advogado de Stormy.

A Casa Branca, a AMI e um advogado de Hope não responderam a pedidos de posicionamento. / REUTERS e AP

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