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Trump e o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, no Capitólio REUTERS/Brendan McDermid

Trump se livrou do impeachment?

Presidente americano não será indiciado pelo suposto conluio de sua campanha com a Rússia por 'ausência de evidências', mas ele e pessoas próximas ainda são alvo de mais investigações com amplo alcance

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 15h43

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou-se completamente liberado depois que a investigação do procurador especial Robert Mueller destacou a ausência de evidência de conluio com Moscou durante as eleições de 2016, abrindo o horizonte para sua tentativa de reeleição em 2020.

Na segunda-feira, Trump chegou até a elogiar Mueller, afirmando que ele "agiu com honra", depois passar quase dois anos criticando seu trabalho, ao qual referiu-se muitas vezes como uma "caça às bruxas".

"Não (houve) conluio, nem obstrução, totalmente ISENTO", tuitou o presidente, após as conclusões da investigação de Mueller serem divulgadas pelo procurador-geral Bill Barr.

Embora a operação de Mueller tenha chegado ao fim, Trump seria alvo de ao menos outras 16 investigações sobre o governo, muitas delas coordenadas por democratas e com um alcance maior do que a abordagem relativamente limitada do procurador.

Entenda abaixo se o presidente americano livrou-se de vez da ameaça de sofrer um impeachment ou se os outros casos nos quais ele é citado ou pelos quais é investigado ainda ameaçam seu mandato.

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As 17 investigações que envolvem o presidente dos EUA, Donald Trump

Apesar de a investigação do procurador especial Robert Mueller não ter encontrado indícios de conluio da campanha do republicano com a Rússia, o magnata e pessoas muito próximas a ele são o foco de mais de uma dúzia de outros casos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 15h32

Apesar de o procurador especial Robert Mueller não ter encontrado evidências de conluio da campanha do presidente Donald Trump com a Rússia, o relatório produzido após quase dois anos de trabalho também não isentou o republicano da acusação de obstrução de Justiça neste caso.

Além disso, o presidente americano ou pessoas muito próximas a ele são parte em pelo menos 17 investigações tanto na esfera federal, quanto na estadual e na municipal. 

Saiba mais sobre cada uma dessas investigações de acordo com informações compiladas pela revista americana Wired e corroboradas pelo site especializado em política Axios e pelo Busines Insider:

- Investigações pelo procurador especial:

1. Ataque da Rússia à eleição americana

A investigação mais famosa de Robert Mueller, na qual o procurador tenta esclarecer o possível ataque da Rússia à eleição presidencial americana de 2016, que incluiu invasões cibernéticas,  roubo de dados pela unidade de inteligência militar GRU e tentativas de atacar o sistema de votação, além de operações para influenciar eleitores conduzidas pela Agência de Pesquisa na Internet, conhecida pelo apelido de “Projeto Lakhta”.

2. WikiLeaks

Se a publicação pelo WikiLeaks dos e-mails roubados por hackers russos liga Moscou à própria Trump Tower ainda é uma incógnita. Mas um acordo de defesa vazado do teórico da conspiração Jerome Corsi deixa claro que os associados de Trump tinham pelo menos algum conhecimento antecipado do que o WikiLeaks planejava publicar as mensagens. Como isso pode se conectar com as acusações que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, enfrenta, e outro acordo aparentemente abandonado para ele deixar a embaixada do Equador em Londres também não está claro.

3. Influência no Oriente Médio

Provavelmente o aspecto menos conhecido da investigação de Mueller é sobre a possível influência de países do Oriente Médio a favor da campanha contra Trump. A investigação parece centrar-se no papel de Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Israel que, em alguns casos, ter laços comerciais com Trump ou com o genro do presidente, Jared Kushner. 

4. Atividades de Paul Manafort

O que começou como um indiciamento por lavagem de dinheiro conta o ex-coordenador de campanha de Trump terminou com sua condenação por oito acusações. Em documentos enviados a uma corte, Mueller diz ainda que investiga o ucraniano Konstantin Kilimnik, ligado a Manafort e à inteligência russa e que poderia ter ligação com Tom Barrack, investidor do mercado imobiliário que tem laços com Trump

5. O projeto da Trump Tower de Moscou

Dias antes do ex-advogado de Trump Michael Cohen ser setenciado a três anos de prisão por oito crimes dos quais ele declarou-se culpado, Mueller surpreendeu a todos com uma nona acusação após ele admitir que mentiu ao Congresso sobre o status das Organizações Trump em relação a uma tentativa de construir uma Trump Tower em Moscou, o que aconteceu quando o republicano já estava em campanha.

6. Outros contatos da campanha e da equipe de transição com a Rússia

Ao menos 14 pessoas que trabalharam para Trump tiveram contato com agentes russos durante a campanha e no período de transição, do conselheiro de política externa Carter Page ao secretário de Justiça Jeff Sessions. E ainda há muitas questões em aberto sobre essas reuniões.

7. Obstrução de Justiça

A nomeação de Mueller se deu após Trump de demitir o então diretor do FBI, James Comey, para determinar se foi uma tentativa de obstruir os estágios iniciais da investigação sobre a Rússia. Mas documentos judiciais recentes sugerem que Mueller poderia estar montando um caso mais amplo de obstrução de justiça contra Trump, argumentando que as declarações públicas do presidente foram uma tentativa de limitar o escopo da investigação.

- Investigações pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York

8. Conspiração financeira da capanha e das Organizações Trump

A ameaça mais concreta contra a Casa Branca parece vir de promotores federais em Nova York que investigam as supostas manobras financeiras de Trump. Talvez a maior bomba política nas últimas três semanas tenha sido as novas revelações em torno de Michael Cohen e os pagamentos para encobrir casos extraconjugais nas semanas finais das eleições de 2016. Os promotores dizem ter evidência concretas de que Trump coordenou pessoalmente os pagamentos.

9. Financiamento da posse

Em fim de 2018 o Wall Street Journal afirmou que os promotores estavam avaliando os US$ 107 milhões arrecadados e gastos pelo comitê de posse de Trump, para tentar determinar de onde veio e para onde foi todo este dinheiro - o FBI já expressou preocupação sobre membros da elite russa que participaram no evento. 

10. SuperPAC que financiou Trump

Relacionada com as notícias sobre as investigações de posse, está a notícia de que os promotores também avaliam o financiamento de um SuperPAC - comitês de arrecadação de fundos - de Trump, o Rebuilding America Now, que por algum tempo teve a participação de Paul Manafort.

11. Lobistas estrangeiros

Robert Mueller entregou informações que descobriu durante a investigação de lavagem de dinheiro de Manafort para promotores em Nova York. De acordo relatos, ele questiona a atualção de um trio de lobistas - Tony Podesta, Vin Weber e Greg Craig - e se eles supostamente deixaram de se registrar apropriadamente como agentes estrangeiros para trabalhos relacionados à Ucrânia.

- Investigações pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Columbia

12. Maria Butina e a NRA

A confissão de culpa desta agente russa e entusiasta dos direitos das armas acompanhou um extenso acordo de cooperação. Apesar de o próximo da investigação parecer ser o namorado de Butina, o agente republicano Paul Erickson recebeu uma carta informando que ele é "alvo" dos promotores - sobre o financiamento de campanha em 2016 pela Associação Nacional de Rifle (NRA) 

- Investigações pela Procuradoria dos EUA no Distrito Oriental da Virgínia

13. Elena Alekseevna Khusyaynova

A suposto contadora-chefe da Agência de Pesquisa na Internet foi indiciada no ano passado por promotores no norte da Virgínia e na unidade do Departamento de Justiça que lida com casos de espionagem e contraespionagem. Elena foi acusada de atividade que foi além da campanha de 2016, incluindo os esforços para interferir na eleição de meio de mandato, em 2018.

14. Influência turca

Segundo documentos judiciais, Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, contribuiu em dois casos além da investigação sobre a Rússia. Há indícios de que um desses casos seja focado na influência ilegal do governo turco e um possível financiamento do movimento liderado pelo opositor Fethullah Gülen, um clérigo residente na Pensilvânia acusado pelo governo turco de ajudar a instigar um golpe fracassado.

- Investigações pela cidade de Nova York, pelo Estado de Nova York e por Procuradores-Gerais de outros Estados

15. Caso dos impostos

Depois de reportagem do New York Times descobrir que Trump aparentemente se beneficiou de mais de US$ 400 milhões em esquemas fiscais, autoridades municipais disseram que investigam pagamentos de impostos de Trump, assim como o Departamento de Impostos do Estado de Nova York.

16. A Fundação Trump 

O procurador-geral de Nova York processou a Fundação Trump, acusando-a de "violações das leis de financiamento de campanha, autonegociação e coordenação ilegal com a campanha presidencial". Um juiz decidiu em novembro de 2018 que o processo pode prosseguir e o novo procurador-geral prometeu investigações ainda mais amplas.

17. Processo de Emolumentos

Os procuradores-gerais de Maryland e DC enviaram intimações no fim de 2018 para a Organização Trump e para os hotéis do presidente pedindo registros financeiros relacionados a um processo sobre um suposta violação da chamada Cláusula de Emolumentos da Constituição, que parece proibir o presidente (e, no caso, suas empresas) de aceitar pagamentos de poderes estrangeiros enquanto ocupar o cargo.

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    Pré-candidatos democratas querem acesso ao relatório completo de Mueller

    Maior parte dos 15 políticos que pretendem disputar as primárias dos partidos mostrou-se insatisfeita com o resumo de quatro páginas divulgado pelo procurador-geral William Barr

    Redação, O Estado de S.Paulo

    26 de março de 2019 | 16h56

    WASHINGTON - Depois da divulgação de um resumo da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a campanha de Donald Trump, vários pré-candidatos democratas à Casa Branca pediram a divulgação da íntegra da investigação e

    Julian Castro, um dos 15 democratas que já oficializaram sua disputa nas primárias do partido pela indicação para a eleição de 2020, afirmou que o Congresso deve ter autorização para ver o relatório completo. Ele afirmou que Barr era muito próximo ao governo Trump para aceitar que seu resumo seja o único registro público do trabalho de Mueller.

    "Um procurador-geral indicado politicamente não deveria decidir o quanto do relatório do procurador especial o Congresso pode ler", tuitou Castro minutos depois da divulgação do texto. "O relatório completo deveria ser divulgado e Robert Mueller deveria ser ouvido sobre suas conclusões."

    A maior parte dos outros pré-candidatos adotou argumentos semelhantes: como Barr foi nomeado por Trump, a carta não pode ser considerada uma fonte segura de informação.

    "O público americano merece acesso ao relatório completo e às descobertas da investigação de Mueller imediatamente - não apenas o resumo de um funcionário do governo Trump", escreveu também na rede social o senador democrata Cory Booker.

    A senadora Kirsten Gillibrand, que lançou oficialmente sua pré-campanha no domingo, tuitou que o relatório completo deveria ser divulgado "e não apenas uma carta de alguém indicado por Trump para protegê-lo".

    Outros candidatos afirmaram que divulgar o relatório completo de Mueller daria transparência ao processo.

    A senadora pela Califórnia Kamala Harris, que fazia campanha em Atlanta no domingo, afirmou a seus apoiadores sobre a carta de Barr: "O povo americano merece transparência e responsabilização", completando que Barr "deve ser convocado para depor no Congresso ao invés de apenas enviar um memorando de quatro páginas, como aconteceu".

    Já a senadora Amy Klobuchar postou um vídeo no Twitter na frente do edifício Robert F. Kennedy no Departamento de Justiça afirmando que a única forma de ter Justiça é com divulgação ao público da íntegra da investigação.

    John Hickenlooper, ex-governador do Colorado, pediu que o texto completo da investigação seja publicado, mas evitou fazer pré-julgamentos. "Há muitas questões que ainda não foram respondidas porque o que Mueller pode investigar não era tão abrangente quanto algumas pessoas gostariam", disse em um discurso em Newmarket, New Hampshire.

    "Sobre o relatório, acho que o povo americano quer ver o que há nele", completou.

    A senadora Elizabeth Warren lembrou que o Congresso votou unanimemente no começo deste mês para pedir que o Departamento de Justiça divulgue o relatório. "Não um 'sumário' do procurador-geral escolhido a dedo por Trump. Façam o relatório completo público imediatamente", escreveu.

    O senador Bernie Sanders, que também disputará as primárias em 2020 não moderou suas palavras: "Quero o maldito relatório completo." / NYT

     

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    Análise: Trump se livra de sua nuvem mais pesada

    Conclusões do promotor especial, Robert Mueller, reduzem ameaça de impeachment e lhe dão um poderoso incentivo nos 22 meses finais de mandato

    Peter Baker / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

    26 de março de 2019 | 05h00

    Para o presidente Donald Trump, o domingo pode ter sido o melhor dia de seu mandato até agora. A mais sombria e ameaçadora nuvem que pairava sobre sua presidência foi afastada  com a divulgação das conclusões do promotor especial, que reduziram a ameaça de impeachment e lhe deram um poderoso incentivo nos 22 meses finais de seu mandato.

    Ainda há outras nuvens sobrecarregadas e ninguém, de fora do Departamento de Justiça, realmente leu o relatório de Robert Mueller que pode ainda divulgar informações condenatórias. Mas o fim da investigação sem conclusões de conluio com a Rússia fortaleceu o presidente para as batalhas que estão por vir, incluindo sua campanha pela reeleição.

    Embora os críticos ainda discutam se Trump tentou obstruir a justiça, o presidente rapidamente disse ser inocente  e os aliados republicanos atacaram seus colegas democratas pelo que chamaram de uma implacável campanha partidária contra ele. Mesmo quando os líderes de seu partido no Congresso convocaram o país para seguir em frente, o presidente indicou que pode não estar pronto para isso, denunciando a própria existência da investigação de Mueller como uma tentativa “ilegal de derrubá-lo que fracassou” e pedindo uma investigação sobre como isso começou.

    Encorajado e com raiva, o presidente agora pode prosseguir com seu governo sem a distração de novos mandados de busca e denúncias por parte da equipe de Mueller ou a preocupação de que o promotor especial possa acusar membros da família de Trump ou até mesmo descobrir uma prova irrefutável que mostre que sua campanha colaborou com o governo russo para elegê-lo em 2016. As perguntas sobre a interferência do Kremlin na eleição, que perseguiram o presidente quase em todos os lugares, devem desaparecer em breve, mesmo que outros  continuem a investigar  acusações.

    A equipe de Mueller confirmou que a Rússia tentou inclinar a eleição em favor de Trump, mas sua conclusão de que ele não conspirou com tal esforço pode facilitar o caminho para Trump reorientar a política externa dos EUA para Moscou e seu presidente, Vladimir Putin, sem tanta preocupação quanto às consequências domésticas. E isso pode dar uma confiança renovada a Trump, que reclamou que suas negociações com líderes mundiais foram prejudicadas pela incerteza sobre se ele sobreviveria à investigação.

    O fim da investigação de Mueller também deixou os democratas na defensiva e os forçará a decidir quão vigorosamente vão continuar perseguindo as acusações de má conduta do presidente e de seus aliados, incluindo muitos que não foram examinados pelo conselho especial, cuja autoridade se limitou à interferência da Rússia na eleição e qualquer possível obstrução da justiça resultante dela.

    Enquanto Trump afirmou que as descobertas de Mueller eram “uma total e completa isenção”, Mueller disse que elas não eram. Embora ele não tenha estabelecido uma conspiração com a Rússia, Mueller não apresentou nenhuma resolução quanto à obstrução da justiça. “Embora este relatório não conclua que o presidente cometeu um crime, ele também não o isenta”, escreveu. Em vez disso, segundo o resumo, Mueller definiu várias ações de Trump que poderiam ser vistas como obstrução, deixando os outros decidirem se as acrescentavam. William Barr, o procurador-geral recentemente nomeado por Trump, concluiu no domingo que eles não o fizeram.

    Mas a Câmara, controlada por democratas, tem o poder, sob a Constituição, de decidir  se as ações do presidente constituíam “altos crimes e contravenções” que justificassem o impeachment e poderiam interpretar a evidência de Mueller de outra maneira. A próxima fase da história, então, será a luta dos democratas da Câmara para forçar Barr a entregar o relatório completo de Mueller e as provas que o acompanham.

    Até que leiam o relatório, os democratas dificilmente concordarão que o presidente foi considerado inocente. E eles provavelmente convocarão Mueller para depor.

    A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, já disse que não era a favor do impeachment, a menos que a evidência fosse “tão convincente e esmagadora e bipartidária”, um padrão que parece ainda menos provável de ser encontrado agora.

    De qualquer forma, a investigação de Mueller teve um efeito prejudicial sobre a presidência, levando a indiciamentos, condenações ou confissões de culpa para meia dúzia de associados de Trump, incluindo seu assessor de campanha e conselheiro de Segurança Nacional, e provocando o desdobramento de investigações. Em qualquer outro governo, essa história por si só seria suficiente para prejudicar seriamente um presidente.

    Além disso, enquanto Mueller encerra seus trabalhos, investigadores federais, estaduais e do Congresso ainda examinam os negócios de Trump, suas finanças, seu comitê inaugural e seus associados.

    Promotores federais em Nova York implicaram Trump em um esquema para violar as leis de financiamento de campanha ao direcionar dinheiro para comprar o silêncio de duas mulheres, evitando que fizessem revelações antes da eleição de 2016, sobre supostos casos extraconjugais com ele. O Estado de Nova York o forçou a fechar sua fundação depois de encontrar um “padrão surpreendente de ilegalidade”. O Comitê Judiciário da Câmara tem analisado documentos de 81 pessoas ou entidades associadas a Trump em uma ampla variedade de tópicos.

    Mas Mueller tinha estatura bipartidária e credibilidade que nenhum dos outros perseguidores do presidente tinha, apesar dos esforços do próprio Trump para derrubá-lo. Agora, o presidente que rotineiramente atacou Mueller e seus 13 “democratas raivosos” por sua “caça às bruxas” certamente usará os resultados da investigação do conselho especial para dispensar todos os outros como parte de um esquema de conspiração e perseguição vingativa, seja como for que os fatos possam ou não aparecer.

    Ele provavelmente não vai convencer seus muitos críticos disso, mas pode reforçar sua base política rumo a uma batalha pela reeleição, onde as questões éticas e legais de Trump certamente serão o foco principal do debate. Nas pesquisas, os principais eleitores republicanos já expressaram profundo ceticismo sobre as alegações contra Trump e a legitimidade das investigações sobre elas.

    “Não indiciados” ou “sem impeachment” pode não ter sido um adesivo de para-choque muito popular em tempos passados, mas no ambiente político polarizado de hoje, cada lado vê essas questões através das próprias lentes.

    A noção de que o sistema perseguiu Trump na pessoa de Mueller e fracassou em derrubá-lo se encaixará perfeitamente na narrativa do presidente sobre injustiça e vitimização, energizando seu autorretrato como uma ameaça à ordem existente. Para Trump, esse foi um dia tão bom quanto poderia ser. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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