Anna Moneymaker/The New York Times
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Trump se mostra contrário a estender auxílio em resposta à pandemia

Pacote de medidas expira em agosto, mas democratas propuseram aumento até janeiro de 2021

Seung Min Kim / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 10h45

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou a interlocutores na terça-feira, 20, que se opõe a estender a duração do auxílio de US$ 600 para trabalhadores demitidos afetados pela pandemia do novo coronavírus. As informações foram confirmadas por três funcionários familiarizados durante um almoço a portas fechadas com senadores republicanos no Capitólio.

O aumento dos subsídios de desemprego - pagos pelo governo federal, mas administrados pelos Estados - foi promulgado como parte de um pacote mais amplo de auxílio no valor de US$ 2 trilhões, aprovado pelo Congresso. O aumento expira em agosto, e os democratas da Câmara propuseram estender a ajuda até janeiro de 2021.

Mas os republicanos do Congresso disseram estar preocupados com o fato de alguns trabalhadores estarem ganhando mais dinheiro com seguro-desemprego do que se estivessem trabalhando e, portanto, têm menos incentivo para voltar às atividades ou encontrar um novo emprego.

"Você pode estender alguma assistência, mas não pagar às pessoas desempregadas mais do que elas ganhariam trabalhando. Você nunca deve ganhar mais do que o seu salário real", disse o senador Lindsey O. Graham, republicano da Carolina do Sul. Ele afirmou ter levantado a questão com Trump durante o almoço.

Graham disse que "ele concorda que isso está prejudicando a recuperação econômica", mas não afirmou explicitamente que não renovaria o aumento. Muitos economistas temem que não estender os benefícios possa prejudicar a recuperação econômica.

Os gastos do governo com subsídios de desemprego aumentaram US$ 45 bilhões de fevereiro a abril, compensando pouco mais da metade do declínio dos salários e salários privados, de acordo com um estudo recente da Brookings Institution.

Os republicanos sustentam que o benefício mais alto dará aos trabalhadores um incentivo para ficar em casa, ao invés de ir trabalhar, mas eliminar a renda pode diminuir ainda mais a demanda em meio a temores de que os consumidores já estejam reduzindo drasticamente os gastos. Os conselheiros de Trump expressaram confiança de que a economia se recuperará rapidamente, uma visão em desacordo com muitos economistas.

No almoço, Trump também pediu aos republicanos do Senado que se dediquem à próxima fase da legislação sobre coronavírus. A estratégia é fazer uma pausa aprovar outro pacote maciço de apoio econômico. 

"Pode haver mais necessidades por aí", disse o senador Kevin Cramer, repubicano da Dakona do Norte. "Depois que voltarmos e depois da próxima semana em que voltarmos, daremos uma olhada e veremos o que podemos fazer, e manteremos o foco nas coisas necessárias e úteis".

Os subsídios de desemprego não foram as únicas disposições pressionadas pelos democratas aos quais Trump sinalizou oposição durante o almoço com os senadores do Partido Republicano. O presidente, um crítico da votação pelo correio, também se opôs à linguagem do plano democrata da Câmara, aprovado na semana passada, que expande as opções de votação antes das eleições de novembro, incluindo a votação por correio, segundo duas autoridades. 

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