Athit Perawongmetha/Pool Photo via AP
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Nas Filipinas, Trump se oferece para mediar disputa pelo Mar da China Meridional

Proposta de presidente americano corre o risco de ser rejeitada por Pequim, que já declarou que Washington não têm um papel em questões consideradas bilaterais pelos chineses

O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2017 | 08h22
Atualizado 12 Novembro 2017 | 15h31

MANILA - O presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu-se neste domingo, 12, para mediar a disputa territorial pelo Mar da China Meridional, onde Pequim constrói uma ilha artificial há anos.

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A inesperada proposta de Trump de mediar essa questão - que já dura décadas - corre o risco de ser rejeitada pela China. Em repetidas ocasiões, Pequim declarou que Washington não têm um papel em questões consideradas bilaterais pelos chineses.

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Os comentários de Trump foram feitos pouco antes de o presidente chinês, Xi Jinping, começar em Hanói sua visita de Estado ao Vietnã.

A China reivindica a quase totalidade da região, pela qual transita anualmente o equivalente a US$ 5 bilhões em comércio. Também se especula sobre a existência de vastas reservas de petróleo e de gás. Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan também querem setores desse mar, e a disputa é considerada há anos um conflito potencial na Ásia.

Hanói busca o apoio de Washington, mas ninguém conseguiu, até agora, frear a China e impedi-la de continuar a construção de ilhas artificiais. Elas podem ser utilizadas como bases militares, e alguns dos atores da disputa temem que Pequim estabeleça em breve um controle unilateral da região.

A tensão registrou um novo pico este ano, quando o Vietnã suspendeu um projeto de exploração de petróleo em uma zona reivindicada por Pequim - aparentemente, por pressões de seu vizinho comunista. Em 2014, a China enviou uma plataforma de petróleo frente à costa do Vietnã, o que provocou violentos protestos no país.

Trump fez sua proposta pouco antes de partir do Vietnã para as Filipinas, aonde chegou neste domingo para participar da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A ideia não foi aceita de imediato pelo presidente filipino, Rodrigo Duterte. Desde que chegou ao poder em 2016, ele busca estreitar os laços econômicos com a China.

"Agradecemos. É muito amável e uma oferta generosa, porque é um bom mediador", disse o chanceler filipino, Alan Peter Cayetano. "Mas, certamente, os países que reivindicam a disputa devem responder em grupo, ou de maneira individual, e um único país não pode dar uma resposta imediata porque a mediação diz respeito a todos", completou.

Duterte disse ainda que falou sobre a disputa com Xi em um encontro no sábado, na cidade vietnamita de Danang, à margem da cúpula da Apec. "Ele nos garantiu mais uma vez: 'Não se preocupe, terá todos os direitos de passagem. Isso também se aplicará a todos os países'", afirmou o líder filipino aos jornalistas ao voltar para Manila.

Na segunda-feira, a China e os países-membros da Asean devem anunciar na capital das Filipinas que chegaram a um acordo para iniciar conversas sobre um código de conduta para o mar. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, promoverá a decisão como um importante avanço, disse na semana passada o porta-voz da chancelaria filipina, Robespierre Bolivar.

As negociações não começariam antes do próximo ano e, a pedido da China, o acordo ao qual se chegar não será legalmente vinculativo, acrescentou Bolivar.

O Vietnã defende um código de conduta vinculativo mas, com Manila aceitando as demandas chinesas, a Asean concordou em agosto que não tenha força de lei. Em 2002, a China aceitou iniciar negociações sobre um código de conduta, mas conseguiu adiá-las, enquanto segue, em paralelo, seu expansionismo estratégico. / AFP

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