Evan Vucci/AP
Evan Vucci/AP

Trump se reúne com líderes da OTAN na Bélgica

Presidente dos EUA já cogitou abandonar a organização e deve ser 'duro' com os aliados

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 04h00

BRUXELAS - Ao visitar uma cidade que já chamou de "buraco do inferno" para se reunir com líderes da aliança que ele já ameaçou abandonar, o presidente Donald Trump vai estar no coração da Europa na quinta-feira, 25, para dirigir-se ao continente que está ansioso por seu apoio. 

Trump terá sua primeira reunião com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), parceria de décadas que tornou-se fundamental para proteger o Ocidente e que foi abalada pelas declarações do novo presidente dos EUA.  

O líder norte-americano cogitou sair da OTAN porque acreditava que outros países não estavam pagando as contas de maneira justa e até então tem recusado a se comprometer a apoiar o Artigo 5, no qual as nações juram defender umas as outras. Ele planejou também encontrar-se com líderes de instituições da União Europeia após ter incentivado a dissolução do bloco quando o Reino Unido decidiu abandonar a UE em junho de 2016.

Mas as capitais da União Europeia abaladas pelas dúvidas podem em breve encontrar segurança. O presidente mudou recentemente sua atitude e destacou a importância da OTAN. Durante a semana, o secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson afirmou que os EUA apoiam "com certeza" o Artigo 5, apesar de Trump querer que outras nações cumpram suas obrigações e gastem 2% de seu PIB em defesa. 

"Acho que vocês podem esperar o presidente muito duro com eles. Olhe os EUA investindo 4%. Estamos fazendo muito", disse Tillerson. Também comentou que seria um passo muito importante para a OTAN que a coalizão lutasse contra o Estado Islâmico.

"É totalmente fora de questão que a OTAN se envolva em qualquer operação de combate", disse o secretário geral da organização, Jens Stoltenberg, na quarta-feira. 

As 28 nações vão renovar um velho compromisso de direcionar 2% do PIB para defesa até 2024. Somente cinco membros já atingiram o objetivo: Reino Unido, Estônia, Grécia, Polônia e Estados Unidos, que gastam mais em defesa que todos os outros aliados combinados.

Os líderes devem preparar planos de ações para até o fim do ano e propor maneiras de atingir a quantia de 2% do PIB em defesa para os próximos sete anos. A OTAN deve mostrar, também, como usará o dinheiro e como ele irá contribuir para as operações da organização.

Trump passará 24 horas em Bruxelas. A visita será a quarta parada do presidente em uma viagem internacional de nove dias, a primeira de seu mandato. Depois de passar por Arábia Saudita, Israel e Vaticano, ele deve encontrar protestos significativos em uma cidade onde é impopular. 

Os movimentos devem ocorrer perto do aeroporto da cidade e no centro. A capital belga está em situação de 'segurança nível 3', significando que a ameaça de um ataque extremista é "possível e provável". O país está nesse nível de alerta desde os ataques suicidas no aeroporto de Bruxelas e no metrô que mataram 32 pessoas no ano passado. De Bruxelas, ele passará dois dias na Itália para compromissos com o G7. / AP

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